Macron: "UE não pode ser refém da solução para a crise no Reino Unido"

Presidente francês recebeu primeiro-ministro irlandês e avisou que Londres não deve dar novo adiamento do Brexit como adquirido.

"A nossa prioridade será o bom funcionamento da UE e do mercado único. A UE não pode ser refém da solução para uma crise política no Reino Unido de forma sustentável", disse Emmanuel Macron antes de se reunir com Leo Varadkar. O chefe de Estado francês e o governante irlandês reuniram-se no Eliseu para discutir a próxima reunião europeia e as consequências de um Brexit sem acordo.

"Uma extensão longa que envolva a participação do Reino Unido nas eleições europeias e nas instituições europeias está longe de ser evidente e certamente não é um dado adquirido. Não podemos passar os próximos meses a resolver mais uma vez os termos do nosso divórcio e a lidar com o passado", sustentou.

Mais uma vez, o líder francês disse que uma prorrogação longa do Artigo 50.º do Tratado de Lisboa tem de ter justificações credíveis como eleições, um segundo referendo ou propostas para a futura relação como uma união aduaneira. "Cabe a Londres dizê-lo, e dizê-lo agora."

No tom que tem adotado sobre o Brexit, Varadkar lembrou que os líderes europeus devem manter abertura em relação a possíveis propostas de Theresa May, mas concordou com Macron ao dizer que "qualquer extensão tem de estar ligada a um plano e a um claro propósito".

Para Macron, em caso de Brexit sem acordo, a responsabilidade recai apenas no Reino Unido: "Se não conseguir, três anos após o referendo, propor uma solução apoiada por uma maioria, terá de facto optado por sair sem acordo. Nós não podemos evitar o seu fracasso."

Macron disse também que a França e a Irlanda seriam os países da UE mais afetados pela ausência de acordo. "Nunca iremos abandonar a Irlanda ou o povo irlandês, aconteça o que acontecer, porque esta solidariedade é o próprio objetivo do projeto europeu"

Dublin não aceita controlos

A Irlanda não vai aceitar verificações às suas exportações nos portos da UE em caso de Brexit sem acordo em consequência de manter a fronteira aberta com a Irlanda do Norte, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, Simon Coveney.

"A Irlanda não vai permitir uma situação em que o Reino Unido, ao sair da UE sem um acordo, arraste a Irlanda para fora do mercado único. O que quero dizer com isto é que os controlos nos portos da UE de todos os produtos irlandeses não são um modelo a seguir e causariam prejuízos significativos à nossa economia, pelo que não o permitiremos", disse no Parlamento.

A fronteira da República da Irlanda com a Irlanda do Norte será a única fronteira terrestre do Reino Unido nas ilhas britânicas depois do Brexit. A questão de como manter um comércio transfronteiriço sem interrupções é um obstáculo porque a maioria das exportações irlandesas para a UE são expedidas através do Reino Unido.

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