Líder do Daesh sobrevive a rebelião de parte dos seus homens

Serão uns 500 os últimos combatentes do Daesh na Síria e foi de entre eles que surgiu uma tentativa de golpe que visaria matar Abu Bakr al-Baghdadi, Os rebeldes serão combatentes estrangeiros e haverá um prémio para quem liquide o homem que o líder do Daesh crê ter liderado a rebelião.

Terá acontecido a 10 de janeiro, no vale do Eufrates, na zona onde se escondem os últimos combatentes do Daesh na Síria. O líder do Daesh, Abu Bakr al-Baghdadi, que há meses se acreditou ter morrido -- a notícia foi entretanto desmentida -- terá sido alvo de um golpe organizado por parte dos seus homens. Crê-se que terão sido combatentes estrangeiros a organizar o golpe e o Daesh terá mesmo colocado a prémio a cabeça de um deles, Abu Muath al-Jazairi.

A notícia é do Guardian , que a atribui aos serviços de informação regionais. Estes acreditam que a tentativa de assassinato de al-Baghdadi resultou num combate entre os combatentes estrangeiros e os seguranças do líder, que o levaram para o deserto. Já al-Jazairi, que se crê ser um veterano do Daesh, tem agora a cabeça a prémio entre os antigos camaradas.

O Daesh não acusou diretamente al-Jazairi, mas ao oferecer dinheiro a quem o mate parece haver poucas dúvidas de que o considerarão responsável. "O líder do Daesh soube do golpe mesmo a tempo. Houve um combate e duas pessoas morreram. Quem fez isto está entre aqueles nos quais al-Baghdadi mais confiava", disse ao Guardian um agente dos serviços de informação.

"O líder do Daesh soube do golpe mesmo a tempo. Houve um combate e duas pessoas morreram. Quem fez isto está entre aqueles nos quais al-Baghdadi mais confiava."

Os serviços secretos iraquianos, assim como os britânicos e americanos, estão seguros de que Baghdadi, um diabético com tensão alta que foi gravemente atingido por um ataque aéreo há quatro anos, esteve recentemente durante algum tempo no último reduto do seu autoproclamado califado, onde os irredutíveis se reagruparam nos últimos dois anos, à medida que perdiam batalha após batalha. Depois de o Daesh perder quase todo o território que tinha conquistado e os seus líderes serem aniquilados, localizar Baghdadi tem sido uma preocupação crescente. Mas o líder do Daesh está em fuga constante dos exércitos de quatro nações, assim como de milhares de milícias, desde a sua última aparição pública, a meio de 2014, quando se autonomeou califa.

Depois de no seu auge, entre 2013 e 2015, o Daesh ter tido na Síria cerca de 70 mil combatentes, agora crê-se que, entre chefes e o que resta de combatentes estrangeiros, haverá cerca de 500 militantes.

Depois de no seu auge, entre 2013 e 2015, o Daesh ter tido na Síria cerca de 70 mil combatentes, agora crê-se que, entre chefes e o que resta de combatentes estrangeiros, haverá cerca de 500 militantes, mais as suas famílias, encurralados pelos curdos sírios apoiados pelos EUA de um lado e as milícias xiitas apoiadas pelo Irão do outro.

Apesar da perda de território, porém, os últimos combatentes do Daesh na Síria ainda mantêm reféns -- e acredita-se que entre eles esteja o jornalista britânico ​​​​​​​John Cantlie, capturado na Síria em 2012 e subsequentemente usado numa série de vídeos de propaganda do grupo, o último dos quais em 2016.

A esta perda de território na Síria está a corresponder um aumento dos problemas no Iraque, perto de Mossul. Os números de execuções sumárias e de rebentamento de bombas ao longo das estradas tem subido ao longo do último ano. E há notícias de que o Daesh voltou a erguer a sua bandeira, embora por pouco tempo, em partes de Mosul.

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