Kim Jong-un em Pequim demonstra importância da China para Pyongyang

Dirigente máximo da Coreia do Norte terá estado na capital chinesa para discutir cimeiras com Seul e com Donald Trump.

Painéis a tapar a visibilidade da estação de comboios de Dandong, cidade chinesa junto da fronteira com a Coreia do Norte, extenso perímetro de segurança no exterior, proibição de acesso na noite de domingo para segunda e, ontem, o veículo oficial do embaixador da Coreia do Norte na China, a deixar o cais de embarque da principal estação de comboios da capital chinesa enquanto nas anteriores 24 horas fora visto na cidade uma coluna de veículos a circular sob fortes medidas de segurança - são sinais de que alguém importante, talvez o próprio líder do regime de Pyongyang, esteve no início da semana de visita a Pequim.

E ainda, segundo fontes norte-coreanas citadas em meios de informação de Seul, as medidas de segurança foram reforçadas na Ponte da Amizade, ponto de passagem entre a Coreia do Norte e a China, nos dias em causa. "A forma como os militares patrulhavam a ponte e suas imediações era semelhante ao que sucedeu quando o comboio de Kim Jong-il passou no mesmo local em 2011. A atmosfera geral era também parecida", explicou, sob anonimato, fonte chinesa. O próprio comboio seria idêntico ao visita de 2011.

A visita foi inicialmente noticiada pela Bloomberg, citando três fontes, que falaram sob anonimato. A confirmar-se a deslocação de Kim Jong-un a Pequim (que terá ficado numa residência oficial para convidados de alto nível), cidade onde esteve na sua única deslocação ao estrangeiro em 2011 na companhia do pai, Kim Jong-il, pouco antes de assumir em dezembro o poder), isto evidenciaria a importância da relação entre a Coreia do Norte e a China, país que é o principal aliado do regime de Pyongyang. Indicaria também a existência de uma concertação de posições entre Kim Jong-un e Xi Jinping, considerando a realização, em abril, da cimeira entre as duas Coreias e a perspetiva de um encontro entre o líder norte-coreano e o presidente Donald Trump, em maio. O presidente chinês já se encontrou várias vezes com Trump, tendo mantido múltiplos contactos telefónicos noutras ocasiões. Pouco antes de visitar Pequim em novembro de 2017, na sua peculiar linguagem, Trump considerou importante o papel da China na questão da Coreia do Norte. O facto de Xi ter contacto regular com o presidente americano é essencial para o líder norte-coreano entender quais os objetivos da Casa Branca para a cimeira que Kim tomou a iniciativa de propor mas que, apesar do sim de Trump, ainda não aceitou. Para um especialista em questões asiáticas, Harry Kazianis, ouvido ontem na Fox News, Kim não esperaria que Trump aceitasse o convite para a cimeira e poderia, "na verdade, estar em pânico" com a hipótese do encontro.

Além da hipótese de ter sido Kim a viajar, era ontem sugerido que poderia ter sido a sua irmã, Kim Yo-jong (que ganhou recentemente grande visibilidade e relevância política) ou o presidente da Assembleia Popular, Kim Yong-nam (que esteve com Yo-jong no recente encontro com o presidente sul-coreano moon Jae-in) a deslocarem-se a Pequim.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.