Investigadores encontram semelhanças entre acidentes com Boeing 737-MAX

O problema parece residir num sensor de voo que faz o nariz do avião afundar. Foi o que aconteceu na Etiópia e na Indonésia, com os acidentes a ocorrerem logo após as descolagens.

Os investigadores franceses que analisam os dados de voo recuperados dos destroços do Boeing 737-Max 8 da Ethiopian Airlines afirmam que há "semelhanças claras" com o outro acidente mortal envolvendo um avião do mesmo modelo, em outubro na Indonésia. Apesar de não ter sido especificado pelos investigadores, o problema parece residir num sensor de voo que pode enviar sinais errados para o software, o que faz automaticamente afundar o nariz do avião. A Boeing já tinha admitido que o problema pode ser no sensor e diz estar a trabalhar para a resolução técnica da falha.

O voo 302 da Ethiopian Airlines, um Boeing 737-Max 8, caiu logo após a descolagem de Adis Abeba em 10 de março, causando a morte de todas as 157 pessoas a bordo. Este caso ocorreu menos de cinco meses depois de um aparelho idêntico, da Lion Air, cair no Mar de Java, na Indonésia, matando os 189 passageiros e tripulantes. Ambos os 737-Max 8 foram entregues pela Boeing às companhias aéreas apenas alguns meses antes dos voos fatais. Desde a semana passada, há dezenas de países, incluindo dentro da UE e os EUA, que ordenaram às companhias aéreas a suspensão de voos com estes aviões.

Os investigadores que verificaram os dados do gravador de voo do avião da Ethiopian Airlines encontraram semelhanças entre as quedas da Lion Air e da Etiópia, "que serão objeto de estudos adicionais durante a investigação", informou a autoridade de acidentes francesa em comunicado. Os investigadores de acidentes apontam que o problema deve estar no papel do sensor de ângulo de ataque, um dispositivo usado em praticamente todos os voos comerciais. Admite-se que possa ter enviado sinais errados para o novo software de voo e, perante isso, o avião automaticamente afunda o nariz e gera-se o acidente.

Reguladores e especialistas em segurança dos EUA questionam agora como a agência federal de aviação (FAA) e a Boeing examinaram o sistema e também de que forma os pilotos em todo o mundo foram treinados quando as companhias aéreas compraram novos aviões.

No fim de semana, um relatório divulgado pelo The Seattle Times apontava que algumas análises antes do acidente descobriram que o sistema, chamado Sistema de Aumento das Características de Manobra (Maneuvering Characteristics Augmentation System), revelava falhas cruciais. O relatório alega que a análise produzida pela Boeing subestimou o poder do sistema de controlo.

A FAA diz que os "processos de certificação de aeronaves estão bem estabelecidos e têm consistentemente produzido projetos de aeronaves seguras". "O programa de certificação 737 MAX seguiu o processo de certificação padrão da FAA", garante.

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