Igualdade de género regista "retrocesso" nos últimos "dois anos"

Em entrevista ao programa A Hora da Europa, da TSF, a eurodeputada socialista considera que, ao nível político, há "muito trabalho para fazer", lamentando que em certas regiões da Europa tenham sido registados retrocessos que considera graves.

A eurodeputada Liliana Rodrigues identifica retrocessos na forma como são tratadas as questões de género. Em entrevista ao programa A Hora da Europa, da TSF, a eurodeputada socialista considera que, ao nível político, há "muito trabalho para fazer", lamentando que em certas regiões da Europa tenham sido registados retrocessos que considera graves.

De acordo com os dados do mais recente relatório do Forum Económico Mundial, a Europa está a seis décadas de distância de alcançar a plena igualdade entre homens e mulheres. Mas, se se tiver em conta o indicador económico, então, serão precisos mais de 200 anos.

A eurodeputada socialista acredita que os cálculos do Forum Económico Mundial só serão uma realidade, "se continuarmos a este ritmo", no âmbito do combate às desigualdades entre homens e mulheres, pois no caso de um retrocesso, então Liliana Rodrigues dá a entender que serão precisos muito mais anos.

"Porque a verdade é que nos últimos dois anos tem havido retrocessos", afirma, considerando que "o caso da Polónia foi o mais gritante", embora exista também o exemplo da "Hungria".

"Há dois anos, o governo polaco tentou proibir o direito à interrupção voluntária da gravidez, em qualquer situação, inclusive em caso de risco de vida da mãe", frisou.

"Portanto, esses retrocessos têm acontecido, mas temos conseguido travar isso", responde a eurodeputada, comentando o caso de ficou conhecido há dois anos, quando o ex-eurodeputado polaco fez afirmações ofensivas sobre as mulheres, considerando que havia razões que justificavam a desigualdade salarial, como a questão da "inteligência"

O referido deputado foi amplamente criticado, e sancionado pelo Parlamento. Mas, "continuamos a ter números que assustam bastante", embora, no caso de "Portugal seja tido como um dos casos exemplares, do ponto de vista da legislação progressista que tem".

Ainda assim, continua a haver "índices elevados", em matéria de "violência doméstica". Liliana Rodrigues dá o exemplo da Madeira, não só por ser a região de onde é natural, mas por "em 2017", ter registado "o maior índice de violência doméstica".

"Duas mulheres por dia sofriam de violência doméstica, tendo em conta apenas os casos que são declarados, porque depois há os casos que não são declarados", afirma a deputada, referindo-se ao caso da Madeira. Mas, "Açores e Algarve" são também consecutivamente apontadas como "as regiões mais problemáticas".

Combate passa pela educação nas escolas

Liliana Rodrigues considera que muito do "combate que tem de ser feito" passa pela educação nas escolas. "Nós não temos de ter propriamente uma disciplina", afirma a deputada, considerando que "qualquer professor na sua área deve - e tem obrigação de - promover isto.

Em 2015, na comissão parlamentar dos Direitos da Mulher, a eurodeputada fez aprovar um conjunto de recomendações para encorajar mais raparigas a estudarem áreas de matéria científica, estando também previstos incentivos para subir o número de homens a trabalhar em creches e ensino básico.

A eurodeputada socialista foi eleita em 2014. Integra a Comissão do Desenvolvimento Regional, a Comissão dos Direitos da Mulher e da Igualdade dos Géneros, a Delegação para as Relações com os Países do Maxereque, e a Delegação à Assembleia Parlamentar da União para o Mediterrâneo.

Como membro suplente, está na Comissão da Cultura e da Educação, na Subcomissão dos Direitos do Homem e na Delegação para as Relações com a Assembleia Parlamentar da NATO.

Ao longo das próximas semanas vamos procurar respostas a questões como as alterações climáticas, crescimento e emprego, direitos humanos, eleições europeias, futuro da Europa, migrantes, proteção dos consumidores, proteção social? Estes são alguns dos pontos de partida para a conversa com os eurodeputados, em direto, de Bruxelas ou Estrasburgo.

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Adriano Moreira

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Este livro de D. Ximenes Belo intitulado Missionários Transmontanos em Timor-Leste aparece numa época que me tem parecido de outono ocidental, com decadência das estruturas legais organizadas para tornar efetiva a governança do globalismo em face da ocidentalização do globo que os portugueses iniciaram, abrindo a época que os historiadores chamaram de Descobertas e em que os chamados navegantes da fé legaram o imperativo do "mundo único", isto é, sem guerras, e da "terra casa comum dos homens", hoje com expressão na ONU.