Direita e extrema-direita unem-se para pôr Martínez-Almeida na Câmara de Madrid

Acordo entre PP, Ciudadanos e Vox permite eleição do popular José Luis Martínez-Almeida para a câmara da capital espanhola. Manuela Carmena, apesar de ter sido a mais votada nas eleições de 26 de maio, não consegue um segundo mandato à frente da capital espanhola.

José Luis Martínez-Almeida é o novo presidente da câmara de Madrid e, assim, quatro anos depois, o Partido Popular (PP) recupera dos seus principais bastiões.

A confirmação chegou já depois das 22.00 de sexta-feira, após nove horas de reunião, com o anúncio do acordo entre o PP e o Cs, os dois partidos mais votados. Begoña Villacis (Ciudadanos) lutou pela presidência e propôs, como solução de recurso, dividir o mandato com o PP, ficando cada partido com dois anos. Mas não conseguiu e ficará como vice-presidente do novo governo municipal, assim como parte da sua equipa ocupará cargos relevantes. Almeida e Villacis assinaram um acordo com 80 medidas de governo.

À última hora, o Vox ameaçou ficar fora do acordo, por não ter cargos. Finalmente, ao amanhecer, o PP e Vox anunciaram que tinham chegado a um acordo entre si, este com 81 medidas. Em troca de seu apoio, a parte da extrema-direita receberá conselheiros delegados, que dependem dos delegados da área, mas os detalhes do acordo ainda não estão finalizados. O acordo foi alcançado já às 3 da manhã, como anunciou Iván Espisonoa de los Monteros, porta-voz do Vox no sua conta de Twitter:

Apesar de Manuela Carmena (Agora Madrid) ter ganho as eleições de 26 de maio, com 31% dos votos, conquistando 19 vereadores, se juntasse o oito dos socialistas, a esquerda não tinha eleito representantes suficientes para fazer face à direita unida de PP (15), Ciudadanos (11) e Vox (quatro).

As negociações entre PP e CS foram tensas até ao último minuto. O PP foi o partido mais votado da direira - com quase 395 mil votos contra os 311 mil de Ciudadanos - mas o partido de Albert Rivera insistia que deveria ser o seu candidato a assumir a presidência, nem que fosse pelo menos durante metade do mandato.

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