Fradique de Menezes critica Patrice Trovoada: "prometeu e não cumpriu"

Ex-presidente são-tomense criticou atual primeiro-ministro do país no lançamento de uma nova coligação da oposição liderada por Carlos Neves, ex-embaixador de São Tomé e Príncipe nos EUA, com vista às eleições de 7 de outubro

O ex-presidente são-tomense Fradique de Menezes apelou aos cidadãos do seu país para "escolherem melhor os seus dirigentes" nas eleições de 7 de outubro, criticando o primeiro-ministro, Patrice Trovoada, do partida Acção Democrática Independente (ADI), que "tanto prometeu e não cumpriu".

Segundo o site da RDP África, Patrice Trovoada não quis comentar para já as declarações do ex-presidente, recordando que Fradique foi o chefe do Estado "que perdeu todos os poderes executivos".

"Eu espero que nessas eleições o povo escolha e acredite naqueles que, de facto, nos tragam um programa com cabeça, tronco e membro [...]. O senhor que está a governar hoje - o que é que ele dizia em 2014, que dinheiro é capim? Ele até poderá ter, não sei de donde vem, não conheço as suas empresas, mas ele poderá ter, mas para o país?", questionou o antigo chefe de Estado, no sábado.

O ex-presidente falava em São Tomé, no congresso que formalizou a coligação entre o partido que fundou, o Movimento Democrático Força da Mudança - Partido Liberal (MDFM-PL), e a União para a Democracia e Desenvolvimento (UDD).

Fradique foi eleito presidente honorário da união destas duas formações políticas, atualmente na oposição.

"Pensei que o chefe do Governo ia arranjar dinheiro para o país, com a sua gincana, o seu dinamismo, que afinal é isso que falta", lamentou, lembrando que certamente "amanhã vai haver mais candidatos para prometer paraísos ao povo são-tomense". Fradique de Menezes foi presidente de São Tomé e Príncipe entre 2001 e 2011, tendo sucedido no cargo precisamente ao pai de Patrice, Miguel Trovoada.

A UDD, com um assento parlamentar, e o MDFM-PL, sem assento na Assembleia Nacional, formalizaram sábado passado uma coligação com estatuto único, bandeira e símbolo, e elegeu Carlos Neves, antigo embaixador nos Estados Unidos, para o cargo de presidente.

A ideia do nascimento da União UDD-MDFM "foi movida pelo sentimento das bases das duas formações partidárias, cuja matriz originária é proveniente de um trono de valores", explicou Carlos Neves.

"Os dois comungam os mesmo ideais e defendem os mesmos valores, que se alicerçam na defesa da dignidade humana, nas liberdades e na defesa intransigente da democracia e desenvolvimento de São Tomé e Príncipe", acrescentou.

Carlos Neves definiu o "humanismo" como a principal força do movimento e "a valorização do homem, do cidadão, a sua liberdade de escolha e de manifestação do seu pensamento" como "o grande motor do combate" da coligação.

"Interpretando esse forte sentimento dos nossos militantes e amigos, compreendendo que juntos teríamos mais força na defesa dos nossos ideais e na concretização dos nossos objetivos, as duas direções foram dando início a um diálogo que foi a cada dia que passava mais encorajador", sublinhou o presidente da união MDFM-UDD.

Carlos Neves sublinhou ainda que "os sinais de perigo que pairam na sociedade" representam "o risco de ver esfumar-se" uma jovem democracia em construção, o também motivou esta união entre as duas formações partidárias.

De acordo com Carlos Neves, "a União MDFM-UDD assenta na edificação de uma força política forte e dinâmica, implantada em todo o território nacional". A coligação, acrescentou, está "representada junto das comunidades no exterior" e quer "melhorar a participação das mulheres".

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