Esperava uma igreja vazia no funeral da mulher mas a cidade apareceu em peso

Com a morte da mulher, uma das 22 vítimas mortais do tiroteio de El Paso, Antonio Basco ficou sem mais família e pediu à agência funerária que convidasse a comunidade para estar presente no último adeus a Margie Reckard, com quem esteve casado 22 anos. O caso comoveu os norte-americanos e cerca de 700 pessoas estiveram no funeral.

"O senhor Antonio Basco foi casado 22 anos com Margie Reckard. Ele não tinha mais família. Ele dá as boas-vindas a quem quiser assistir às cerimónias fúnebres da sua mulher". A mensagem da agência funerária espalhou-se rapidamente nas redes sociais e a história prendeu a atenção de milhares de norte-americanos. Margie morreu no tiroteio de El Paso, no início do mês, e ele ficou sem mais família.

Com a morte da mulher, com quem esteve casado 22 anos, Antonio Basco ficou sozinho no mundo e pediu à agência funerária Perches Funeral Home para convidar a comunidade de El Paso a estar nas cerimónias fúnebres.

E se inicialmente poderia ter pensado que se iria despedir de Margie numa igreja vazia, a realidade mostrou-se bem diferente. Basco ficou chocado quando percebeu que as pessoas faziam fila para entrar no local onde se realizaram as cerimónias fúnebres. Foram centenas, cerca de 700, que quiseram manifestar o seu apoio a Antonio Basco no último adeus à mulher. Eram tantas as pessoas que a agência funerária teve de mudar as cerimónias para um local mais espaçoso.

A comunidade de El Paso apareceu em peso no funeral, mas muitos atravessaram os Estados Unidos para acompanhar Antonio Basco neste momento de dor. "Isto é incrível", disse, surpreendido com a multidão. Ele não estava sozinho.

Mais de 900 mil arranjos florais e 10 mil mensagens de condolências

De acordo com o New York Times, mais de 900 arranjos florais foram enviados para o funeral, alguns de Dayton, Ohio, onde um tiroteio fez nove mortos, horas depois do ataque a um centro comercial em El Paso. Mas também chegaram flores de toda América e de lugares tão distantes como a Ásia. A agência funerária também recebeu cerca de 10 mil mensagens de condolências.

"Acho que nunca vi tantas flores", disse o filho de Margie Reckard, fruto de um casamento anterior. Dean contou que a mãe "amava as pessoas, independentemente da sua cor, religião ou política".

"É incrível ver o amor e o apoio que cada um de vocês demonstrou", referiu Tyler, neto de Margie.

Depois de ler a história de Tony Basco, como é conhecido, Hala Hijazi não pensou duas vezes e viajou de São Francisco para El Paso. "Tocou o meu coração. Precisamos de mostrar que quando a América está a sofrer, todos nós sofremos", afirmou, citada pela BBC.

Um casal de El Paso decidiu ir ao funeral de Margie porque também eles sabiam o que era perder alguém tão próximo. O filho mais velho de Victor e Mary Perales morreu inesperadamente há dois anos. "Sabemos o quanto foi difícil para nós. Fomos cercados pela família. Não consigo imaginar como seria passar por isso sozinho ", disse Victor ao New York Times. Além de lhe ter escrito uma carta a oferecer a sua amizade neste momento difícil, Perales quis ir ao funeral dar um abraço a Antonio Basco e "dizer-lhe que ele pode ser da família".

Mas nem todos os rostos eram desconhecidos. No funeral, o marido conheceu, pela primeira vez, familiares da mulher. "Ela era uma senhora e o amor da minha vida", disse Antonio Basco sobre a mulher por quem se apaixonou há mais de duas décadas num bar do Nebrasca. Contou que tinha sido amor à primeira vista. O casal vivia em El Paso há nove anos.

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