Ucrânia. "Uma das eleições mais importantes na Europa," mas com irregularidades

"Indícios de ciberataques, campanhas de desinformação e notícias falsas na rádio e na televisão," foram algumas das irregularidades apontadas nas eleições presidenciais ucranianas.

A missão de observadores da Organização para a Cooperação e Segurança na Europa afirmou esta segunda-feira que as eleições presidenciais na Ucrânia, cuja primeira volta decorreu no domingo, foram, em termos gerais, "competitivas e livres", alertando, porém, para várias irregularidades.

"Estas eleições foram competitivas e lançaram as bases para uma vibrante segunda volta. Espero que a Ucrânia continue no caminho da democracia e dentro dos valores europeus", declarou lkka Kanerva, membro do parlamento finlandês e coordenador especial da missão de observação eleitoral da OSCE/ODIHR (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa/Gabinete das Instituições Democráticas e dos Direitos Humanos).

Numa conferência de imprensa em Kiev, lkka Kanerva referiu que o escrutínio presidencial ucraniano, que contou com um total de 39 candidatos, foi "uma das eleições mais importantes na Europa, mas também uma das mais difíceis de observar" para os mais de 2.300 observadores internacionais destacados.

A eurodeputada Ana Gomes integrou a delegação do Parlamento Europeu às eleições presidenciais na Ucrânia que, por sua vez, integrou esta missão de observação eleitoral da OSCE/ODIHR.

Apesar da missão atribuir, em termos gerais, uma avaliação positiva à jornada eleitoral - e esperar que a segunda volta das presidenciais ucranianas (agendada para o próximo dia 21 de abril) decorra da mesma forma -, salientou que a votação não esteve isenta de irregularidades.

O relatório prévio da missão de observação menciona casos de votos comprados, irregularidades ao nível do financiamento das campanhas e um desequilíbrio da cobertura mediática dos candidatos.

"Houve indícios de ciberataques, campanhas de desinformação e notícias falsas na rádio e na televisão. Espero que os ucranianos não caíam nessas armadilhas", afirmou, por sua vez, Dariusz Rosati, chefe da delegação do Parlamento Europeu.

"Essas ações só pioram os níveis já elevados de desconfiança dos cidadãos na política," acrescentou.

Os resultados preliminares das presidenciais ucranianas, após a contagem de mais de 80% dos boletins de voto, indicam que o humorista Volodymyr Zelensky, de 41 anos, ganhou a primeira volta com 30,4% dos votos.

Este estreante na esfera política conseguiu ficar a uma distância considerável do segundo mais votado, o Presidente cessante Petro Poroshenko, de 53 anos, que conseguiu recolher 16% dos votos, segundo os dados preliminares fornecidos pela Comissão Eleitoral ucraniana.

Zelensky e Poroshenko irão agora disputar a segunda volta das presidenciais.

No domingo, a ex-primeira-ministra da Ucrânia, Yulia Timoshenko, reivindicou o segundo lugar na primeira volta, classificando como "desonestos" os resultados das sondagens à boca das urnas que lhe atribuíam o terceiro lugar.

A vitória de Volodymyr Zelensky era aguardada, uma vez que o humorista liderava as sondagens de opinião desde finais de janeiro.

Os ucranianos foram às urnas no domingo num cenário de um prolongado conflito armado com a Rússia e elevados níveis de corrupção.

"Também não podemos ignorar que as eleições ocorreram num contexto de segurança muito delicado. Estamos a falar de um país que sofre uma agressão militar, ciberataques constantes e é uma vítima de campanhas de desinformação", destacou, por sua vez, Michal Szczerba, chefe da delegação da assembleia parlamentar da NATO.

O exército ucraniano e as forças separatistas pró-russas confrontam-se há mais de cinco anos na zona leste da Ucrânia. Segundo Kiev, as forças separatistas são financiadas por Moscovo que acusa o Ocidente de apoiar o exército ucraniano.

A guerra no leste ucraniano já fez cerca de 13 mil mortos e continuam a registar-se confrontos apesar do abrandamento registado após a assinatura dos Acordos de Minsk em 2015 que são constantemente violados.

Perante este contexto, os representantes das organizações internacionais elogiaram o comportamento da população ucraniana.

"O que testemunhei foram pessoas livres com opções de voto, deslocando-se em massa às assembleias de voto e demonstrando o seu compromisso para com a democracia", concluiu Szczerba.

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