Elas estacionam à primeira e eles limpam a casa. Reino Unido acaba com publicidade sexista

A entidade reguladora da publicidade britânica vai combater estereótipos de género nos anúncios publicitários. As mudanças foram anunciadas no final do ano passado, mas entram em vigor este mês.

O homem que limpa a casa e que é ridicularizado por isso vai desaparecer da publicidade do Reino Unido. Tal como o homem, que sentando no sofá, levanta os pés para a mulher aspirar melhor. Ou a mulher que não consegue estacionar o carro à primeira. Todos os anúncios considerados "estereótipos de género prejudiciais" passam a ser terreno proibido para os publicitários britânicos a partir deste mês.

A Autoridade Reguladora da Publicidade no Reino Unido chegou à conclusão de que estes retratos podem ter um papel "limitador no potencial das pessoas". Podem "restringir as escolhas, aspirações e oportunidades de crianças, jovens e adultos", declarou a agência num relatório no ano passado.

Em 2017, a equipa do organismo regulador juntou várias pessoas - homens e mulheres - numa sala, onde mostrou vários anúncios com o objetivo de recolher feedback. Entre os testes estava a publicidade a uma fórmula de leite para bebés que provocou especial desagrado. O anúncio mostrava que as raparigas que bebiam aquele leite se transformavam em bailarinas e os rapazes em engenheiros e alpinistas.

"Os resultados do nosso estudo evidenciaram que os estereótipos de género nos anúncios podem contribuir para a desigualdade social, com custos para todos nós. Descobrimos que alguns retratos em anúncios podem, com o tempo, desempenhar um papel na limitação do potencial das pessoas", afirmou Guy Parker, diretor executivo da Autoridade Reguladora da Publicidade no Reino Unido, citado pela BBC.

Que situações passam a ser proibidas?

As regras são claras. A publicidade não pode conter nenhum elemento em que um homem ou uma mulher sejam representados a fazer uma tarefa tradicionalmente atribuída ao género oposto e falhe. Por exemplo, um homem com dificuldades em mudar a fralda a um bebé ou uma mulher que não consegue estacionar o carro com facilidade.

Nas novas diretrizes publicitárias para os jornais, revistas, televisão, cinema e Internet, ficam ainda de fora os casos de mães recentes que se mostrem mais satisfeitas com uma casa arrumada do que com o seu bem-estar.

Ou seja, estão proibidos os anúncios onde é possível antever "danos específicos". Por outro lado, quando os estereótipos são utilizados em benefício do género não há qualquer alteração.

A Autoridade Reguladora da Publicidade britânica começou a alertar para esta situação em 2017, mas só em dezembro do ano passado foram conhecidas as novas regras, que entram este mês em vigor.

Medida necessária ou censura?

Embora, o regulador tenha anunciado que as regras estão a ser bem recebidas no setor publicitário, nem toda a gente está satisfeita. Para uns esta é uma mudança necessária. "São as pequenas coisas que vão ficando e vão formando o nosso subconsciente", refere o blogger inglês Jim Coulson à BBC.

Para outros, a atitude não vai mudar os verdadeiros problemas relacionados com a desigualdade de género. "Há muitas coisas que precisamos de combater: igualdade de salários, assédio nos locais de trabalho, violência doméstica. Estes são os grandes assuntos que nós precisamos de lutar para chegarmos à igualdade", defende a colunista Angela Epstein, que indica que estas proibições só contribuem para uma sociedade "excessivamente sensível".

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