Premium El Escorial abriga o Vale dos Caídos mas não quer saber da exumação de Franco

O DN visitou a aldeia de San Lorenzo de El Escorial em vésperas das eleições legislativas. A possível exumação de Franco do Vale dos Caídos não centra a preocupação dos seus habitantes, muitos deles ainda sem decidir o seu voto. Emprego, a unidade de Espanha e a corrupção são temas para eles bem mais importantes. Sabem em quem recusam votar, mas não em quem vão votar, fazem parte dos 30% de indecisos.

A primeira e a única vez que Juan esteve no Vale dos Caídos foi há mais de 60 anos. "Devia ter uns 4 anos e nunca mais lá voltei", conta ao DN este reformado que, há quatro décadas, vive em San Lorenzo de El Escorial. Esta é a localidade mais próxima da basílica que o general Franco mandou construir para enterrar as vítimas nacionalistas e republicanas da guerra civil e onde o próprio ditador acabou por ficar enterrado.

"Querer desenterrar Franco é remexer no passado. Vai trazer consequências graves. Para mim é indiferente. Sou filho de um capitão dos vermelhos porque era com quem o meu pai estava quando começou a guerra", conta Juan, declarando que apesar de não gostar de política vai votar no domingo. "Ainda não sei é em quem", confessa, em declarações ao DN.

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A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.