Diretor da Mota-Engil foi detido por suspeitas de violência sexual no Uganda

Funcionário de 63 anos é acusado por três mulheres, funcionárias de limpeza, de tentativa de violação e assédio sexual.

Um diretor da Mota-Engil está detido no Uganda por suspeitas de tentativa de violação, assédio sexual e atentado ao pudor. As vítimas são três mulheres que trabalham como empregadas de limpeza no escritório da empresa portuguesa em Soroti,

O cidadão português, de 63 anos, já tinha sido detido há cerca de um mês quando as mulheres apresentaram queixa numa esquadra de polícia. Foi libertado sob fiança mas esta semana, na quarta-feira, voltou a ser detido, por terem sido recolhidas novas provas, e a magistrada do Tribunal de Soroti, Sylvia Nvannung, decidiu que ficaria detido.

O detido, Joaquim Domingos, é diretor de recursos humanos na Mota-Engil. Contratada pelo governo ugandês, esta empresa de construção civil está a construir a estrada Malaba-Corner Kamdin.

"Depois de recolhermos provas, detivemos o suspeito e o procurador do estado proferiu as acusações de tentativa de violação, assédio sexual e atentado ao pudor", disse o porta-voz da Polícia de Kyoga, Michael Odongo, citado pela imprensa do Uganda que acompanhou a ida do português a tribunal, onde as acusações foram lidas e foi decretado que aguardasse o desenrolar do processo na prisão de Soroti.

Segundo o jornal New Vision, o português, que é acusado de cometer os crimes entre abril de 2018 e julho de 2019, não manifestou intenção de recorrer da decisão. "Este é um assunto delicado que não posso discutir com a comunicação social", disse o advogado, Philip Engulu, que representa o funcionário da Mota-Engil neste processo. O advogado apenas adiantou que é provável que o seu cliente seja novamente ouvido em breve, eventualmente na próxima semana, altura em que nova decisão pode ser tomada sobre a medida de coação aplicada.

Com mais de 40 milhões de habitantes, o Uganda é um país africano com elevadas taxas de violência contra as mulheres. Segundo um relatório de uma ONG, publicado em 2017, há 46 casos de violência sexual por dia e dos 1335 casos de violação registados no ano anterior apenas 396 foram levados à justiça. Só houve seis condenações. A pressão internacional intensificou-se nos últimos anos no sentido de serem tomadas medidas mais eficazes pelo governo do Uganda no combate à violência sexual e de género no país.

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