Coreia do Norte promove ciberataques para financiar testes de mísseis

Pyongyang poderá ter gerado perto de dois mil milhões de dólares para o seu programa de armas ilegais de destruição em massa com ataques sofisticados contra instituições financeiras e de troca de criptomoedas, segundo um relatório da ONU.

A Coreia do Norte está a pagar os seus contínuos testes de mísseis com ataques cibernéticos "generalizados e cada vez mais sofisticados" a bancos e troca de criptomoedas, segundo um relatório do Conselho de Segurança da ONU, divulgado pela Reuters.

Outras fontes disseram à NBC News que Pyongyang poderá ter gerado perto de dois mil milhões de dólares (1,7 mil milhões de euros) para o programa de armas de destruição em massa, embora não seja possível quantificar completamente o montante total. O relatório refere que a Coreia do Norte tem escapado à deteção deste financiamento ao " lançar ataques cada vez mais sofisticados para roubar fundos a instituições financeiras e troca de criptomoedas", usando o ciberespaço para lavar as transações.

O relatório da ONU, segundo fontes diplomáticas, afirma que esses ataques permitem que a Coreia do Norte "gere rendas de maneira mais difícil de rastrear e sujeitar a supervisão e regulação do que o setor bancário tradicional".

Desde 2016, empresas privadas de cibersegurança têm apontado o avanço da Coreia do Norte de alvos cibernéticos tradicionais, como instituições governamentais e militares sul-coreanas, para alvos mais diversos que não podem ser facilmente detetados, segundo as mesmas fontes. Dois anos depois, a NBC News noticiava que aquele país tinha roubado 81 milhões de dólares ao invadir o Banco Central do Bangladesh, uma verba equivalente à Reserva Federal daquele país. Esse roubo é mencionado no relatório da ONU como fazendo parte do dois mil milhões de verba conseguida para o programa de mísseis.

O volume das transações ilegais é enorme, segundo especialistas, e ajudam a Coreia do Norte a evitar um infinidade de sanções económicas da ONU votadas por unanimidade desde 2006.

Desde a reunião do presidente americano Donald Trump com o Kim Jong Un, no final de maio, que a Coreia do Norte realizou uma série de testes de mísseis de curto alcance, violando as sanções da ONU, num aparente esforço para pressionar os EUA. Mas Trump tem dito repetidamente que não está preocupado já que os mísseis não conseguem alcanar o terrítório americano.

No entanto, estes testes - três no final de julho e início de agosto e dois esta segunda-feira - ameaçaram aliados dos EUA como a Coreia do Sul e o Japão e bases militares americanas na região.

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