Chanceler austríaco Kurz enfrenta moção de censura na segunda-feira

Moção foi apresentada pelos ecologistas depois de o vice-chanceler austríaco Heinz-Christian Strache ter sido filmado, por câmara oculta, a prometer contratos públicos a uma interveniente russa em troca de apoio financeiro e mediático ao seu partido, o FPÖ, de extrema-direita

O presidente do parlamento austríaco marcou para segunda-feira, dia 27, a votação de uma moção de censura apresentada pela oposição contra o chanceler Sebastian Kurz, enfraquecido com a partida dos seus parceiros de extrema-direita do FPÖ.

Wolfgang Sobotka, que como Kurz pertence ao partido ÖVP, precisou que tinha considerado preferível "para uma discussão calma e factual" que a moção fosse examinada após o escrutínio europeu de domingo.

Depois da queda no sábado da coligação governamental entre direita e extrema-direita, devido a um vídeo comprometedor para o líder nacionalista Heinz-Christian Strache, a crise política tem aumentado e ameaça agora o chanceler Sebastian Kurz.

A moção de censura foi apresentada pelo pequeno partido ecologista Jetzt, mas os sociais-democratas e o partido de extrema-direita FPÖ não excluíram apoiá-la, o que lhes permitiria constituir uma maioria para fazer cair o chefe do governo antes das legislativas antecipadas previstas para setembro.

As legislativas foram convocadas pelo chanceler após a divulgação de extratos de um vídeo onde o líder do FPÖ, Heinz-Christian Strache, foi filmado, por uma câmara oculta, a prometer a uma suposta sobrinha de um milionário russo, alguns meses antes das eleições legislativas austríacas de 2017, a adjudicação de contratos públicos em troca de apoio financeiro e mediático ao seu partido.

O escândalo veio perturbar a cena política austríaca a alguns dias das eleições europeias e levou à demissão de Strache de todos os seus cargos, incluindo o de vice-chanceler, e posteriormente à saída do governo de todos os ministros do FPÖ.

Responsáveis da oposição consideram que o chanceler Kurz, líder do partido conservador ÖVP, deve também devolver o seu mandato antes das legislativas antecipadas de setembro.

"Queremos que o conjunto do governo de transição seja composto por especialistas, pois consideramos que apenas esta solução pode trazer confiança e estabilidade nesta fase difícil", indicaram hoje os sociais-democratas do SPÖ.

O Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ) integrava, juntamente com o Partido Popular Austríaco (ÖVP), o executivo austríaco desde 2017.

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