May apela a Corbyn para ceder e aprovar novo plano do Brexit

Primeira-ministra britânica escreveu uma carta ao líder da oposição dizendo-lhe que já fez cedências para chegar a um compromisso e pedindo-lhe que faça o mesmo.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, escreveu uma carta ao líder da oposição, Jeremy Corbyn, indicando-lhe que o plano que revelou esta terça-feira mostrou que está "disposta a chegar a um compromisso" e pediu-lhe que faça o mesmo "para podermos fazer o que os nossos dois partidos prometeram nos seus manifestos", isto é, garantir que haverá um Brexit.

Após May apresentar o seu plano, Corbyn disse de imediato que não o aceitava. Esta quarta-feira, os dois estarão frente a frente em mais uma sessão semanal de perguntas e respostas à primeira-ministra na Câmara dos Comuns. Antes, May fez um último apelo na sua carta.

Na missiva de três páginas, May recorda a carta que Corbyn lhe enviou na semana passada a dar conta do falhanço das negociações, que apelidou de detalhadas e construtivas, indicando algumas áreas em que um compromisso era possível. A primeira-ministra concorda com essa ideia e lembra o líder do Labour que também disse que iria considerar qualquer proposta que o governo apresentasse.

"Expliquei os detalhes de um novo acordo de Brexit que acredito deverá ser capaz de garantir o apoio em toda a Câmara dos Comuns e permitir-nos honrar o resultado do referendo, acabando com este debate corrosivo que está a prejudicar a nossa política e permitir que possamos avançar para todos os outros temas com que os deputados, e aqueles que nos elegem para os representar, se preocupam", escreveu May.

Depois a primeira-ministra enumera cinco alterações que Corbyn pediu ao acordo de Brexit, vetado três vezes pelos deputados britânicos, mostrando como cedeu. Esse cinco pontos são uma aproximação ao mercado único, com May a dizer que procurará negociar um acordo que inclua um alinhamento dinâmico com as regras do mercado único em determinadas áreas.

Em relação aos direitos e proteções dos trabalhadores, outro ponto-chave para Corbyn, May diz que apresentará legislação para garantir que estes não serão prejudicados em nenhum aspeto. Sobre o ambiente, diz que irá garantir que a proteção ambiental no Reino Unido não será prejudicada, com a criação de um novo organismo nesse sentido.

May lembra ainda que em relação a financiamento de várias agências britânicas, se compromete a negociar a participação e cooperação estreita com uma série de agências europeias, desde a Europol à Agência Europeia de Energia Atómica, entre outras.

Finalmente, menciona diretamente o acesso às bases de dados de segurança europeias, lembrando que o Labour concorda que o que estava na Declaração Política era o mais longe que Bruxelas estava disponível a chegar, mas que ambos os partidos concordavam em relação aos objetivos do Reino Unido no futuro das negociações para uma maior participação possível dos britânicos nestas áreas.

May lembra que um dos pontos da discórdia é em relação à união aduaneira, indicando que será o Parlamento a decidir este último aspeto. Quanto ao referendo, que a primeira-ministra lembra que não estava referido na carta de Corbyn, lembra que o governo vai legislar para exigir um voto sobre se haverá ou não um segundo referendo antes da ratificação do acordo.

"Mostrei que estou disposta a chegar a um compromisso para garantir o Brexit para o povo britânico. Esta é a nossa última hipótese de o fazer. Peço-lhe que também faça cedências para podermos fazer o que os nossos dois partidos prometeram nos seus manifestos e restaurar a fé na nossa política", concluiu.

Debaixo de fogo

A primeira-ministra está cercada não só pelo Labour, mas também pelos próprios conservadores. Segundo a jornalista da BBC, Laura Kuenssberg, há deputados dentro dos Tories que querem forçar May a sair da liderança ainda antes de apresentar o plano.

A ideia, segundo as suas fontes, é fazer a jogada no domingo, quando são conhecidos os resultados das eleições europeias - nas quais os britânicos foram obrigados a participar visto não terem conseguido garantir o Brexit.

Os conservadores não podem provocar uma nova corrida à liderança do partido diretamente, visto May já ter sobrevivido a uma tentativa nesse sentido em dezembro e estar "blindada" durante 12 meses de nova tentativa. Mas podem apoiar uma moção de censura ao governo no Parlamento, que obrigaria contudo a eleições antecipadas, o que muitos conservadores não estão preparados para fazer.

Finalmente, podem aumentar a pressão à primeira-ministra, que já anunciou que pretende deixar a liderança do partido (e consequentemente do governo) assim que o seu acordo for aprovado.

Num debate no site do jornal The Telegraph , o líder do Partido do Brexit, Nigel Farage, disse acreditar que uma grande vitória para o seu partido nas europeias pode não só levar à queda de May como do próprio Corbyn. E matar as hipóteses de um segundo referendo.

"Se tivermos uma grande vitória para o Partido do Brexit, vamos matar todos os pensamentos de um segundo referendo, porque o lado do Vince [Cabe, líder dos Liberais Democratas e o outro político no debate] vai perceber que simplesmente não pode ganhar. E também acho que, se estas sondagens que estamos a ver estiverem certas, vamos ver-nos livres da Sra. May muito rapidamente. Até podemos ver o fim do Corbyn", afirmou Farage.

A sondagem YouGov do The Times coloca diz que o Partido do Brexit vai conseguir 37% das intenções de voto, seguido dos Lib Dem com 19%. O Labour surge em terceiro, com 13%, e os Conservadores em quinto, com 7%, abaixo dos Verdes, com 12%.

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