Candidato do AKP de Erdogan perde eleições em Istambul

Eleições foram repetidas depois de o candidato da oposição ter vencido por uma curta margem a 31 de março e o AKP se ter queixado de irregularidades.

O candidato da oposição Ekrem Imamoglu, do Partido Republicano do Povo (CHP, centro-esquerda), venceu as eleições para a câmara de Istambul, derrotando o candidato do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, islamita e nacionalista) do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

Segundo resultados ainda não oficiais, citado pelo jornal turco Daily Sabah, Imamoglu conquistou 53,76% dos votos, enquanto Binali Yildirim, candidato do AKP, teve 45,32%. A diferença de votos entre ambos é de cerca de 700 mil votos. Segundo a mesma fonte, assim que os resultados começaram a chegar Yildirim admitiu a derrota e deu os parabéns ao adversário.

"Vamos tentar ajudar Imamoglu em tudo o que fizer em benefício dos habitantes de Istambul", terá dito Yildirim, ex-primeiro-ministro de 63 anos.

Os eleitores de Istambul voltaram às urnas este domingo para a repetição das municipais, após a anulação do anterior escrutínio, medida muito contestada pela oposição. Esta eleição é considerada um teste decisivo para o AKP de Erdogan que, junto com um anterior partido religioso e conservador (Partido do Bem-Estar, depois Partido da Virtude), controla Istambul desde 1994.

Num duro golpe para Erdogan e o seu AKP, Imamoglu, de 49 anos, venceu por uma curta margem (apenas 23 mil votos ou 0,2 pontos percentuais) as eleições locais de 31 de março na capital económica e demográfica da Turquia (15 milhões de habitantes na área metropolitana). Após cerca de duas semanas de recontagem de votos, a autoridade eleitoral turca anulou a votação, revogou o mandato de Imamoglu e ordenou novas eleições, ao referir-se a irregularidades na composição das equipas que supervisionaram o escrutínio. Os críticos acusaram o organismo oficial de atuar sob pressão do partido no poder.

Derrota para Erdogan

Erdogan foi presidente da câmara de Istambul nos anos 1990, antes de dar o salto para a política nacional, que domina primeiro como primeiro-ministro e depois como presidente. À frente dos destinos do país, liderou a Turquia durante anos de forte crescimento económico, mas os críticos dizem que se tornou cada vez mais autoritário e intolerante de qualquer dissidência.

A segunda derrota em Istambul será um motivo de embaraço para o presidente, podendo enfraquecer a sua posição de domínio de poder no país. Os analistas, segundo a Reuters, acreditam que a derrota possa desencadear uma remodelação governamental e ajustes à política externa da Turquia.

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