Breivik, o neonazi norueguês que matou 77 em 2011

Em abril, o terrorista, condenado a 21 anos de prisão, venceu um processo contra o Estado por violação dos direitos humanos

Primeiro fez explodir um carro armadilhado no centro de Oslo. Oito pessoas morreram. Depois, disfarçado de polícia e munido de um arsenal de armas, Breivik deslocou-se até à pequena ilha de Utoya. Abriu fogo num tiroteio que durou mais de uma hora. Matou outros 69, na sua maioria jovens que participavam num campo de férias organizado pelo Partido Trabalhista Norueguês, força política que no entender do terrorista é responsável pelo cancro do multiculturalismo.

Tudo aconteceu a 22 de julho de 2011. Cumpriram-se cinco anos na sexta-feira, o mesmo dia em que Ali David Sonboly levou a cabo o seu ataque no centro de Munique.

Anders Breivik, que reiteradamente vincou a sua admiração pela ideologia nazi, foi condenado em 2012 a 21 anos de prisão, a pena máxima na Noruega. Caso venha a considerar-se que já não representa um perigo para a sociedade, sairá em liberdade em 2033, aos 53 anos. No entanto, caso os juízes assim decidam, Breivik pode continuar preso para o resto da vida através de extensões sucessivas de cinco anos cada.

Neste ano, em abril, Breivik venceu um processo contra o Estado norueguês. O terrorista alegou que a sua detenção em regime de isolamento, privado de contacto com outros detidos e obrigado a permanecer no interior da sua cela entre 22 e 23 horas por dia, representava uma violação dos direitos humanos. Os juízes deram-lhe razão e o Estado apelou da sentença a 26 de abril.

Apesar da impossibilidade de contactar com outros presos, Breivik tem reservadas para si três celas - uma que funciona como quarto, outra como zona de estudo e outra como espaço para exercícios - e pode circular entre elas. Além disso, o homem que matou 77 pessoas em 2011 tem ainda ao seu dispor televisão, computador sem acesso à net, consola de jogos e está autorizado a cozinhar a própria comida.

Uma vez que a sua correspondência é alvo de censura prévia, Breivik também se queixou de o seu direito à privacidade estar a ser violado. As autoridades justificam a violação das cartas para prevenir que, a partir da prisão, consiga criar uma rede de extrema-direita com motivações terroristas.

Um dos sobreviventes do ataque na ilha, após ter sido o conhecido o desfecho do julgamento, disse que o veredicto em favor de Breivik era a prova de que a Noruega "tem um sistema judicial que respeita os direitos humanos mesmo nos casos mais extremos".