Bolsonaro à prova de balas, Haddad "a lutar até ao fim"

Candidato do PSL votou no Rio de Janeiro com aparato de segurança e petista em São Paulo, onde falou em "retomada da democracia"

Jair Bolsonaro e Fernando Haddad votaram mais ou menos à mesma hora, perto das 10 horas locais (13 em Portugal) mas em cidades diferentes. O candidato do PSL, à frente das duas sondagens divulgadas, já madrugada de domingo em Portugal, com 54% e 55% dos votos, está registado numa escola da zona oeste do Rio de Janeiro, onde mora. O concorrente do PT, que segundo as mesmas pesquisas de opinião soma 46% e 45% das preferências, exerceu o seu direito num estabelecimento de ensino de Moema, na zona sul de São Paulo.

Haddad, que antes de votar tomou o pequeno-almoço com lideranças do PT, falou em "lutar até ao fim". "Até ao último minuto lutaremos, estou muito confiante de que vamos ter um grande resultado hoje, as pesquisas indicam uma retomada importante da intenção de voto no nosso projeto e eu confio na democracia, confio no povo brasileiro", afirmou.

Haddad evitou comentar as declarações de Ciro Gomes na véspera - o terceiro classificado nas eleições disse em vídeo votar "contra a intolerância" mas não apoiou abertamente o petista - e regozijou-se pelos apoio do juiz que julgou o Mensalão, Joaquim Barbosa, e do procurador-geral da República durante a maior parte da Operação Lava Jato, Rodrigo Janot.

O candidato seguiu depois para sua casa, na região do Paraíso, zona oeste da maior cidade do Brasil, e assistirá à divulgação dos resultados já num hotel, na região central paulistana.

Para Manuela D'Ávila, candidata a vice-presidente de Haddad, "o amor vai vencer o ódio", afirmou, após votar em Porto Alegre.

Bolsonaro, envolvido por um aparatoso esquema de segurança, com cerca de uma dezena de soldados e vestindo um colete à prova de balas, não falou à comunicação social nem antes, nem depois do voto. Seguiu para o condomínio na Barra de Tijuca em que mora, onde seguirá o evoluir do domingo eleitoral.

O seu vice-presidente, General Mourão, disse entretanto, em Brasília, onde votou, que "a reforma da previdência é a prioridade do governo".

Michel Temer, presidente cessante, anunciou que "a transição está praticamente assegurada", nos instantes imediatamente após votar em São Paulo. Nos últimos dias, Eliseu Padilha, seu número dois, reuniu-se fora do horário oficial com representantes da candidatura de Bolsonaro.

O primeiro a votar

O primeiro brasileiro a votar foi Joel Santana, um técnico de manutenção de 49 anos que esperou em frente aos portões durante 23 horas e 45 minutos. Santana beneficiou-se de ser morador do arquipélago de Fernando de Noronha, no estado de Pernambuco, cujo fuso horário é de uma hora a menos do que o de Brasília, que rege a maior parte do território brasileiro. "Estava ansioso por ser o primeiro", disse Santana.

No entanto, em rigor, foram os brasileiros residentes na Nova Zelândia e na Austrália os primeiros a assinalarem o seu voto - à hora em que se votava em Fernando de Noronha, já as urnas haviam encerrado nos dois países da Oceânia.

Em Salvador, por outro lado, milhares de pessoas formaram filas duas horas antes da abertura dos portões (às 8 horas locais) para evitar as aglomerações registadas na primeira volta mas mesmo assim houve nota de correrias e confusões.

Em Oiapoque, no Amapá, duas pessoas foram detidas logo ao início da manhã por lesão corporal e desobediência às autoridades. Ainda no estado do norte do país foram apreendidos dois mil reais (cerca de 450 euros) supostamente utilizados para compra de votos. Em Anápolis, Goiânia, houve uma detenção por uso de telemóvel na cabine de voto. No Piauí, dois homens foram presos de madrugada por picharem um edifício público com frases de apoio ao candidato Haddad. Em Aspasia, São Paulo, e na Paraíba a polícia federal informou de outras detenções sem, no entanto detalhar o motivo.

As urnas fecham às 20 horas em Portugal, nos estados sob o horário de Brasília, e os resultados começam a ser divulgados às 22 horas. Além da eleição presidencial, em 14 das 27 unidades federativas do Brasil realizam-se as segundas voltas das eleições para os governos estaduais.

Em São Paulo

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