Barcelona, "cidade sem lei"? Crimes disparam 30% mas polícia diz que não há alarme

A polícia autonómica da Catalunha registou na cidade 5 331 casos por furtos violentos, que representam um crescimento de 30% face ao ano passado, e 12 homicídios. Já há milícias nas ruas e pedidos para rever leis.

Homicídios e roubos violentos fizeram soar os alarmes em Barcelona, com os jornais a darem conta de um crescimento que atinge 30% este ano, num dos destinos turísticos mais procurados pelos portugueses - e a sexta cidade mais visitada na Europa, em 2017 (segundo o 2018 Global Destination Cities Index).

A embaixada dos Estados Unidos em Espanha já avisou os seus cidadãos para estarem atentos à sua segurança pessoal, a britânica BBC noticiou uma "onda de crimes" na capital catalã, mas os Mossos d'Esquadra, a polícia autonómica da Catalunha, garante que os números não são "alarmantes nem excecionais".

Até agosto, os Mossos registaram na cidade 5 331 casos por furtos violentos, que representam um crescimento de 30% face ao ano passado, e 12 homicídios. Estes valores são mais elevados que no ano passado. A capital catalã é, há muito, conhecida por ter carteiristas nos lugares mais turísticos, mas o fenómeno surge agora associado a roubos com violência.

Português do Porto, a viver em Barcelona há pouco mais de dois anos, a trabalhar em marketing, Paulo Paulos confirmou ao DN que, nas últimas semanas, se têm multiplicado as notícias de crimes mais violentos, "quase diariamente", de assaltos, esfaqueamentos e homicídios. E exemplifica com duas violações que terão ocorrido nas Festas de Gràcia, um bairro sossegado de Barcelona, onde o portuense reside atualmente, e o assalto a uma farmácia em plena luz do dia, durante as festividades populares.

Segundo o jornal espanhol Público, os Mossos detiveram 1 529 pessoas por delitos de roubo com violência durante o ano de 2019, incluindo menores de idade, que serão um terço dos detidos. Este número de detenções representa um acréscimo de 80% em relação ano passado. Mas só 165 ficaram presos e uma esmagadora percentagem de 90% não deu entrada na cadeia.

Estes dados têm levantado um forte clamor social. O jornal El Cierre Digital noticiava esta semana mais um homicídio na "cidade sem lei". Grupos de cidadãos juntaram-se para criar milícias populares.

Segundo o jornal inglês The Guardian , o governo catalão veio entretanto pedir penas mais duras para crimes violentos depois desta onda de ataques com facas e assaltos violentos. Para Miquel Buch, o ministro do Interior regional, a lei tem de ser alterada.

Marc Antón Pons, o porta-voz de "Salvalona", uma plataforma de cidadãos que procuram soluções para o que chamam de crise de segurança na cidade, notou ao Euronews que "a violência aumentou exponencialmente". "Hoje em dia estamos expostos a que algo nos aconteça na rua. Ninguém está livre disso", atirou, recordando o assalto violento ao embaixador do Afeganistão, "uma pobre senhora coreana que morreu, uns políticos chineses [assaltados]. Ninguém está livre."

Para o português, de quase 30 anos, "houve um aumento de casos graves", mas também poderá existir "algum aproveitamento político" contra a alcaide da cidade, Ada Colau, acusada pela oposição de não ter mão pesada no combate à criminalidade.

A título pessoal, Paulo Paulos não se queixa. "Não sinto medo de andar na rua", disse. "É uma cidade muito pacífica, moderna, com gentes de todos os feitios", apontou, sublinhando a tranquilidade de quem usa o metro. A autarca Ada Colau tem uma leitura idêntica: Barcelona é uma cidade segura "com problemas de segurança".

Como qualquer grande cidade (em 2016, Barcelona tinha 1,615 milhões de habitantes), "há um outro bairro que devemos evitar", acrescentou. Apanhado a viajar no comboio, que entretanto ficou avariado, Paulos notou: "Para mim, é mais fácil falar mal dos comboios do que da criminalidade da cidade."

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