Apesar de polémica com rosário, Salvini gostava de ser recebido pelo Papa

Igreja Católica não gostou que o ministro do Interior italiano tenha usado símbolo religioso e invocado a Virgem Maria num evento que uniu partidos anti-imigração em Milão.

O ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, disse esta segunda-feira que gostaria de conhecer o Papa. Isto depois de, no domingo, ter causado polémica entre os círculos católicos ao usar um rosário e invocado a Virgem Maria num comício com outros partidos anti-imigração em Milão.

"Gostaria de ser recebido pelo Papa, mas nunca pedi uma audiência", disse o líder da Liga à televisão La 7. "Ele é uma das pessoas mais estimulantes e fascinantes, só poderia aprender com ele", acrescentou. "Se a ocasião surgir, estou mais do que disponível para o encontrar", referiu.

A entrevista aconteceu depois da polémica de domingo, quando surgiu num evento de campanha para as eleições europeias com um rosário na mão, invocando a Virgem Maria, depois de prestar homenagem a vários santos cristãos e aos antigos papas João Paulo II e Bento XVI. Quando mencionou o Papa Francisco ouviram-se vaias na multidão.

Francisco é um defensor da política de portas abertas à imigração, que Salvini critica. Mas considera que a sua posição não vai contra os valores católicos.

"Acredito que a política causa divisão, enquanto Deus pertence a todos. Reivindicar Deus para si mesmo é sempre muito perigoso", reagiu o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin.

Já o reverendo Antonio Spadaro, um jesuíta italiano que também é próximo de Francisco, criticou a invocação de Deus em campanhas políticas. "A exploração da religião não parece conhecer a decência", indicou.

Salvini reagiu no Twitter ao bispo de Mazara del Vallo, Domenico Mogavero, que disse que quem vota Salvini não é cristão. "Vou continuar a dar testemunho da minha fé com o meu trabalho para uma Itália mais bela e segura. Vou deixar as fofocas para os outros. Ámen", indicou.

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É procurador no Tribunal de Cascais há 25 anos. Escolheu sempre a área de família e menores. Hoje ainda se choca com o facto de ser uma das áreas da sociedade em que não se investe muito, quer em meios quer em estratégia. Por isso, defende que ainda há situações em que o Estado deveria intervir, outras que deveriam mudar. Tudo pelo superior interesse da criança.