África do Sul declara estado de catástrofe natural devido à seca

Cidade do Cabo pode ficar sem água potável

As autoridades sul-africanas proclamaram hoje o estado de catástrofe natural em todo o país devido à seca histórica que assola a África do Sul há vários meses a região da Cidade do Cabo, ameaçada de ficar sem água potável.

Segundo a AFP, a decisão, publicada hoje, foi tomada depois de uma "reavaliação da amplitude e da gravidade da seca atual", e confia a partir de agora a gestão da crise ao Governo.

Todas as instituições sob alçada do Estado estão, daqui em diante, mandatadas para pôr em prática "os planos de emergência, a ajuda imediata e as medidas de construção" necessárias, segundo o decreto assinado pelo chefe do Centro Nacional de Gestão de Situações de Emergência, Mmaphaka Tau.

A Cidade do Cabo, a segunda maior da África do Sul, está a ser assolada pela pior seca no último século, estando as reservas de água de tal forma baixas que se prevê que as torneiras fiquem secas.

As autoridades sul-africanas tinham apontado o dia 11 de abril como o 'Dia Zero', o primeiro dia em que faltaria água nas torneiras, tendo depois adiado a estimativa para dia 16 do mesmo mês.

O adiamento deve-se ao declínio no uso de água para fins agrícolas, porque muitas quintas nalgumas províncias, que incluem a própria cidade, escolheram usar as reservas que lhes foram alocadas em vez de usar água corrente.

As autoridades avisaram os habitantes para, ainda assim, continuarem a cumprir as indicações oficiais, que limitam o uso de água a 50 litros por pessoa.

Se o 'Dia Zero' se concretizar os habitantes da Cidade do Cabo deverão abastecer-se nos 200 pontos de recolha de água, onde podem receber, no máximo, 25 litros de água por dia por cada pessoa.

A grave seca que assola a zona é um fenómeno invulgar, já que não só deriva da escassez de precipitação que caracterizou a passada estação de chuvas (abril-outubro), como de o nível de chuva ter sido particularmente baixo também nos dois anos anteriores.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), só num duche de cinco minutos, gastam-se cerca de 100 litros de água.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Rosália Amorim

Crédito: teremos aprendido a lição?

Crédito para a habitação, crédito para o carro, crédito para as obras, crédito para as férias, crédito para tudo... Foi assim a vida de muitos portugueses antes da crise, a contrair crédito sobre crédito. Particulares e também os bancos (que facilitaram demais) ficaram com culpas no cartório. A pergunta que vale a pena fazer hoje é se, depois da crise e da intervenção da troika, a realidade terá mudado assim tanto? Parece que não. Hoje não é só o Estado que está sobre-endividado, mas são também os privados, quer as empresas quer os particulares.