A sueca Greta tem 15 anos e está em greve às aulas em nome do clima

Adolescente protesta junto ao Parlamento sueco até às eleições para obrigar os políticos a atuar de forma a travar as alterações climáticas. Esta sexta-feira espera que milhares de pessoas se juntem a ela.

Greta Thunberg tem 15 anos e está, tecnicamente, a violar a lei sueca. Tudo porque, em vez de estar na escola (que é obrigatória), decidiu fazer greve às aulas em nome do clima, com o objetivo de obrigar os políticos do seu país a tomar medidas urgentes contra as alterações climáticas.

"Nós, as crianças, normalmente não fazemos aquilo que vocês nos mandam fazer. Fazemos o que vocês fazem. E uma vez que os adultos não ligam para o meu futuro, eu também não ligarei. O meu nome é Greta e estou numa greve às aulas até às eleições gerais suecas", diz num vídeo partilhado no YouTube, passando a mesma mensagem que tem escrita num panfleto que distribui a quem a procura junto ao Parlamento.

O protesto teve início a 20 de agosto, quando Greta devia ter regressado às aulas após as férias de verão, para frequentar o nono ano. Em vez disso, passa todos os dias das 8.30 às 15.00 sentada junto ao Parlamento. As eleições são este domingo, 9 de setembro, e a adolescente espera que esta sexta-feira, "centenas ou talvez milhares de pessoas façam greve com ela". E já está a pensar em como alargar o seu protesto para lá das eleições.

Verão mais quente na Suécia

A mensagem está a passar, depois daquele que foi o verão mais quente na Suécia desde que há registo (isto é, há 262 anos), com as temperaturas a chegar aos 38 graus e mais de 60 incêndios florestais que devastaram o país. As questões climáticas tornaram-se um tema no final da campanha eleitoral (marcada pelos temas anti-imigração e a subida da extrema-direita) e pelo menos dois líderes partidários suecos já pararam para conversa com ela.

Apesar de o objetivo do protesto ter sido chamar a atenção dos media para o tema das alterações climáticas (todos os grandes jornais e televisões suecos, mas também vários media internacionais já a entrevistaram), Greta admitiu num vídeo ao site francês Konbini news ter ficado surpreendida com o impacto que está a ter a sua greve.

"A crise mais grave da história da humanidade"

Num texto que partilhou nas redes sociais (traduzido para inglês pelo site medium.com), Greta lembra que a primeira vez que ouviu falar do aquecimento climático, "a crise mais grave da história da humanidade", pensou que não era verdade, que "não podia haver algo tão sério a ameaçar a nossa própria existência". Isto porque, se fosse verdade, "não estaríamos a falar de mais nada", como se "uma guerra mundial" estivesse a acontecer.

Lembrando um debate televisivo entre candidatos às eleições suecas, Greta lamenta que esses pudessem "mentir" sobre a situação. "Eles disseram que não faz sentido fazer um esforço para cortar as emissões [de CO2] suecas, porque somos um "exemplo". Que devíamos focar-nos em "ajudar" os outros países a cortas as emissões deles", escreveu, acrescentando: "A Suécia não é um exemplo. O povo sueco emite anualmente 11 toneladas de CO2 per capita. Estamos em 8.º lugar do mundo, segundo a WWF. Somos nós que precisamos de ajuda."

Impacto na família

Desde os 12 anos, quando aprendeu sobre alterações climáticas, Greta tomou a decisão de não comer carne e não voar. De facto, por sua causa, a mãe, a conhecida cantora de ópera Malena Ernman (que representou a Suécia no Festival Eurovisão de 2009), abandonou a carreira internacional por já não andar de avião, devido aos efeitos da aviação para o clima.

"A Greta obrigou-nos a mudar as nossas vidas", disse o pai Svante. "Não sabia nada sobre o clima. Começámos a investigar, a ler os livros todos - ela já os leu todos também", referiu, citado pelo The Guardian.

Os pais queriam que Greta, que tem a síndrome de Asperger (um tipo de autismo ligeiro), voltasse à escola. "Ela devia estar na escola, não podemos apoiar a ação dela. Mas respeitamos que ela queira tomar uma posição", afirmou o pai, dizendo que apesar da greve ela tem feito trabalho de casa e já leu três livros. "Se ficasse em casa seria infeliz, mas a protestar está feliz", acrescentou Svante ao jornal britânico.

"A crise do clima é o tema que define o nosso tempo. Contudo, todos pensam que podemos resolver a crise sem esforço, sem sacrifício", escreveu Greta, comparando a situação ao Titanic. "Nós podemos parar a colisão. Nós sabemos que o icebergue está lá. Até sabemos as suas coordenadas exatas. Mas não estamos a travar nem estamos a mudar o rumo. E congratulamo-nos por, talvez, termos conseguido descarregar algum peso. Enquanto aumentamos a velocidade. Será que vamos travar a tempo?", questiona.

"O que fazemos ou não fazemos, agora, vai afetar a minha vida inteira e as vidas dos meus filhos e netos. Talvez eles questionem porque vocês não fizeram nada e por que é que os que sabiam e podiam falar, não o fizeram", explicou Greta no final da sua mensagem.

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