Identificada epidemia que matou os astecas

Uma epidemia matou 15 milhões de pessoas no México entre 1545 e 1550, afetando decisivamente a civilização asteca. Agora, a causa desta epidemia terá sido identificada.

Em menos de cinco anos cerca de 15 milhões perderam a vida na região que é hoje o México. Os sintomas, que começaram a sentir-se antes de 1545, eram febres elevadas, dores de cabeça e escorrimento de sangue dos olhos, do nariz e da boca. A morte era inevitável e sucedia, regra geral, após três ou quatro dias. Em cinco anos, 80% da população tinha desaparecido, vítima daquilo que na língua local foi designado como "pestilência" ou "cocoliztli".

O que era "cocoliztli" foi tema de discussão durante mais de 500 anos. Agora, a causa foi identificada por um grupo de cientistas da Universidade de Tubinga, na Alemanha, num estudo publicado no mais recente número da revista Nature Ecology and Evolution.

Ao primeiro surto de 1545, seguiu-se um segundo em 1576. No total, de uma população estimada em 20 milhões de pessoas, no final dos dois períodos estariam vivas menos de dois milhões.

O estudo afasta as hipóteses da epidemia ter origem num surto de sarampo, gripe, varíola, e identifica a origem da doença numa forma de febre intestinal, tendo sido encontrado sinais no ADN nos esqueletos das vítimas, nomeadamente nos dentes. Esta epidemia, "uma das muitas que surgiram no México após a chegada dos europeus (...) foi a mais devastadora e a que produziu o maior número de mortes", diz Ashild Vagene, uma das autoras do estudo. Foram estudados 29 esqueletos exumados de uma das valas comuns onde se sabe terem sido enterradas pessoas vítimas da "cocoliztli", hoje identificada como a bactéria Paratyphi C, uma variedade de salmonela que atualmente não provoca vítimas mortais. Mas na época as populações astecas não conheciam a doença nem possuíam as defesas imunológicas para contrariar os seus efeitos. Na Europa, o corpo humano já desenvolvera defesas, pois a bactéria manifestava-se desde a Idade Média na água ou nos alimentos. Segundo o estudo, a bactéria terá viajado para o México via os animais levados pelos europeus, neste caso os espanhóis, liderados por Hernán Cortés

A epidemia de 1545 que atingiu o atual México e parte da região que é hoje a Guatemala seguiu-se a um surto de varíola duas décadas antes que já matara entre cinco e oito milhões de pessoas, logo após a chegada dos primeiros europeus, que foram os espanhóis.

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