Hollande não recua. Sindicatos convocam novas greves

Depois de uma semana de manifestações, comboios, metro e autocarros podem parar na próxima semana

François Hollande foi taxativo e mostrou-se inflexível. Ontem, numa conferência de imprensa em Ise-Shima, no Japão, onde esteve para participar na cimeira do G7, o presidente francês não deixou dúvidas: "Não podemos aceitar que sejam os sindicatos a ditar as leis. Enquanto chefe de estado eu quero esta reforma. Ela encaixa em tudo aquilo que temos vindo a fazer nos últimos quatro anos. Vamos seguir em frente e continuar até ao fim".

A reação de Hollande surge na sequência de mais uma semana de manifestações em todo o país contra a nova lei do trabalho. De acordo com o ministro dos Transportes, Alain Vidalies, as greves e os bloqueios de refinarias obrigaram França a usar três dos 115 dias das reservas de combustíveis de emergência.

"O primeiro dever do executivo é assegurar a liberdade de circulação e o bom funcionamento da economia", sublinhou Hollande, depois de o governo francês ter ontem ordenado à polícia para furar os bloqueios às refinarias e às centrais de produção de energia.

Ao mesmo tempo que o presidente garante que não irá ceder, os sindicatos também asseguram que não vão desistir da luta. "A bola está do lado do executivo", explica o líder sindical Philippe Martinez.

A Confederação Geral do Trabalho já convocou uma greve dos comboios nacionais para a próxima terça-feira e, dois dias depois, uma paralisação do sistema de transportes públicos (autocarros e metro) que serve a área metropolitana de Paris.

Na passada quinta-feira foram entre 153 mil (segundo o governo) e 300 mil (de acordo com os sindicatos) os franceses que saíram à rua para mostrar o seu descontentamento contra a nova lei do trabalho.

A proposta legislativa que o governo do primeiro-ministro Manuel Valls pretende implementar e que - recorrendo a um artigo da Constituição - fez aprovar sem passar pelo parlamento tem sido muito atacada pelos sindicatos e representantes dos trabalhadores.

Os pontos mais polémicos prendem-se com a flexibilização dos despedimentos, a redução de indemnizações e com a possibilidade de as empresas fazerem alargar as 35 horas semanais.

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