Hillary e Trump à frente no Iowa mas vitória não está garantida

Inicia-se hoje o ciclo das primárias que vão designar os candidatos democrata e republicano à Casa Branca. Há favoritos, mas no caso dos democratas não se exclui a surpresa

Os naturais do Iowa encontram-se hoje à noite em mais de 1600 edifícios públicos - escolas, pavilhões, bibliotecas, templos religiosos, mas também celeiros e cafés - em reuniões denominadas caucus para a escolha dos candidatos às eleições presidenciais de novembro. Do lado dos democratas, Hillary Clinton está ligeiramente à frente das intenções de voto sobre o seu rival mais direto, Bernie Sanders, enquanto entre os republicanos Donald Trump mantém uma vantagem clara sobre Ted Cruz e uma confortável distância face aos restantes nove adversários.

Hillary tem 45% das intenções de voto na sondagem da Bloomberg Politics/Des Moines Register face aos 42% do senador de Vermont, Bernie Sanders. O terceiro candidato democrata, Martin O"Malley, antigo governador de Maryland, não vai além dos 3%. No campo republicano, Trump recolhe 28% das intenções de voto, seguindo-se Ted Cruz, com 23%, Marco Rubio, com 15%, e Ben Carson, com 10%. Os restantes, entre os quais o antigo governador da Florida Jeb Bush, têm 5% ou menos de intenções de voto.

Hillary e Trump passaram ontem o dia no Iowa, conscientes de que uma vitória neste estado pode estabelecer um padrão para as primárias seguintes. Mas o risco de uma surpresa está longe de se excluir. O governador do Iowa, o republicano Terry E. Branstad, declarava ontem ao New York Times que não ficaria "surpreendido com a vitória de um outsider em qualquer um dos campos". Isto porque, como explicava Branstad, "é enorme o sentimento antissistema, anti-Washington" no estado. Um investigador da Universidade de Rutgers, David Redlawsk, confirma ao mesmo diário: "Há segmentos de republicanos e democratas extremamente insatisfeitos". Por isso, do lado republicano, surgem como favoritos Donald Trump e Ted Cruz, que se podem considerar figuras atípicas do partido, enquanto Bernie Sanders, considerado representante da ala mais à esquerda dos democratas, quase surge empatado com a antiga secretária de Estado.

Um sentimento que é generalizado a todos os Estados Unidos, segundo uma sondagem Reuters/Ipsos divulgada no sábado. Uma larga maioria dos inquiridos - 73% - considera que o país está no "caminho errado", sendo que 87% identifica-se com Trump e 54% com Sanders. E a tendência é a de apoiarem alguém sem grande ou mesmo sem nenhum passado político. "Se Trump e Sanders ganharem, as pessoas do Iowa terão provado algo muito sério - o nojo por Washington é tão profundo que vale a pena arriscar num candidato fora do sistema", escrevia ontem o Miami Herald. Ao mesmo jornal, a responsável pela sondagem da Bloomberg, Ann Selzer, explicava que, claramente, "o eleitorado quer uma rutura".

Trump e Sanders têm privilegiado nas respetivas campanhas temas que vão ao encontro das preocupações dos segmentos antissistema, as questões económicas, com aproximações distintas pelos dois candidatos, a imigração, as questões sociais. Assim, Trump quer deportar os imigrantes ilegais e negociar acordos comerciais internacionais mais favoráveis aos EUA, defendendo e proporcionando emprego aos americanos, enquanto Sanders contesta as crescentes desigualdades sociais e prometendo o acesso livre e universal à saúde e educação.

De acordo com o perfil do eleitorado democrata e republicano, o cenário mais previsível aponta para uma possível vitória de Sanders e, do outro lado do espetro político, para o sucesso de Trump ou Cruz. Segundo a sondagem da Bloomberg Politics/Des Moines Register , quatro em cada dez democratas define-se à esquerda, considerando-se "socialistas", enquanto seis em cada dez republicanos se veem "profundamente religiosos", um ponto que favorece mais Cruz, apoiado pelo movimento Tea Party e por grupos evangélicos.

Se o sucedido no passado é indicador do que pode acontecer no presente, quando Sanders visitou o Iowa há cerca de um ano teve a maior receção até então dispensada a um candidato. E a sua frase preferida diz tudo: "Estou zangado porque o povo americano está zangado".

Com estes sinais, há já analistas a sustentar que as primárias vão ser longas e duras em ambos os partidos.

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