Hillary Clinton: "Ninguém gosta de Bernie Sanders, nunca fez nada"

A candidata democrata de 2016 acusou o senador de Vermont de estar há anos no Congresso "sem conseguir fazer nada". Diz Clinton que Sanders promove uma cultura de ataque aos adversários e a mulheres: "Ninguém quer trabalhar com ele."

A "guerra" no Partido Democrata ganha novos contornos com Bernie Sanders a estar no centro de críticas. Agora é Hillary Clinton a criticar fortemente o senador que pretende ser o candidato democrata em 2020. "Ninguém gosta dele", afirma Hillary Clinton que disputou com Sanders a nomeação democrata em 2016. Numa entrevista ao The Hollywood Reporter, a propósito de declarações no novo documentário "Hillary" que estreará em breve, Clinton não quis responder se apoiaria Sanders e se faria campanha por ele caso seja o candidato democrata em 2020.

"Está no Congresso há anos. Tinha apenas um senador a apoiá-lo. Ninguém gosta dele, ninguém quer trabalhar com ele, nunca conseguiu fazer nada", disse Clinton no filme produzido pela Hulu, segundo o The Hollywood Reporter. "É um político de carreira. É tudo uma tolice e sinto-me tão mal quando vejo que as pessoas foram arrastadas para isso".

Os comentários no documentário são dirigidos diretamente ao apelo principal da campanha de Sanders, de que vem de fora da política e está a lançar uma mudança revolucionária. Hillary discorda e só vê defeitos.

A nova ronda de ataques acontece menos de duas semanas antes do caucus de Iowa, que Clinton venceu em 2016 e onde Sanders está agora a travar uma corrida a quatro. Estes comentários de Clinton têm o potencial de reacender uma luta de quatro anos entre os dois, que nunca desapareceu completamente da mente dos democratas. Mais recentemente, e em comentários à sua derrota para o presidente Donald Trump, Clinton culpou Sanders por prejudicar a sua campanha.

A campanha de Sanders recusou-se a comentar as observações de Clinton.

Na entrevista, Clinton também questionou a "cultura" em torno da campanha de Sanders, da "sua equipa de liderança" ao "Bernie Bros online" - uma forma pejorativa de se referir aos apoiantes de Bernie nas redes sociais, com a ideia de que são predominantemente homens brancos.

"Não é só ele, é toda a cultura à sua volta. É a equipa de liderança. São os apoiantes eminentes. É o 'Bernie Bros online' e os ataques implacáveis a muitos dos seus adversários, principalmente às mulheres", disse Clinton, antes de sugerir que o próprio Sanders foi cúmplice em promover essas vozes. "Não apenas permitiu, mas parece que apoiou muito isso", acusou Clinton.

Sanders recentemente negou ter dito a Elizabeth Warren, sua aliada política de longa data que agora está na disputa pela nomeação presidencial, que não acreditava que uma mulher pudesse ganhar a presidência. Warren assegurou publicamente que Sanders disse a frase durante uma reunião de 2018. A "guerra" entre as campanhas e apoiantes levou a uma troca agressiva de palavras entre os candidatos no debate mais recente em Iowa.

Clinton considera que a conduta de Sanders faz parte de um padrão. "Quando disse que uma mulher não pode ser eleita, isso é parte de um padrão", disse, para se referir à sua experiência pessoal. "Se fosse um caso único, poderia dizer: 'OK, tudo bem.' Mas ele disse que eu não era qualificada, apesar de ter muito mais experiência do que ele."

E continuou com as críticas, quase comparando Sanders com Trump: "Acho que as pessoas precisam de prestar atenção, porque queremos, espero, eleger um presidente que tentará unir, e não fechar os olhos ou recompensar o tipo de insulto, ataque, humilhação, comportamento degradante que vimos nesta administração atual."

Sanders e Warren apareceram de braços dados numa marcha para marcar o dia de Martin Luther King Jr. na segunda-feira, no que parece ser uma forma de suspender a controvérsia. Mas nas redes sociais os apoiantes de Sanders atacam de novo Clinton, que há menos de dois meses lançou uma crítica semelhante contra o senador de Vermont durante uma aparição no programa de Howard Stern.

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