Há cada vez mais crianças a viverem em zonas de guerra

Mais crianças do que nunca estão a viver em zonas de guerra e correm risco de morte ou de serem alvos de violência, segundo um relatório da Save the Children. Situações mais críticas são na Síria, Afeganistão e Somália.

A Save the Children nota que, pelo menos, 357 milhões de crianças - ou uma em cada seis a nível mundial - vive atualmente em áreas onde estão em curso conflitos armados, ou seja, um aumento de 75% face ao valor registado no início dos anos 90.
A crescente urbanização, a maior duração dos conflitos e o assustador facto de que há cada vez mais escolas e hospitais a serem bombardeados contribuíram para aumentar os perigos para as crianças, refere a ONG.
Outro tipo de ameaças que pairam sobre os menores são os raptos e os abusos sexuais. "Estamos a assistir a um aumento chocante do número de crianças que crescem em áreas afetadas por guerras e a serem expostas às formas mais sérias de violência que se pode imaginar", refere Helle Thorning-Schmidt, diretora executiva da Save the Children, num texto de apresentação do relatório.
"As crianças estão a passar por coisas que nenhuma criança devia conhecer, da violência sexual até serem usadas como bombistas suicidas. As suas casas, escolas, recreios e outros espaços tornaram-se campos de batalha", explica Thorning-Schmidt, antiga primeira-ministra da Dinamarca.
Números das Nações Unidas revelam que mais de 73 mil crianças foram mortas ou mutiladas em 25 conflitos desde 2005, ano em que se começaram a coligir este tipo de casos, de acordo com o relatório.
Desde 2010 que o número registado pela ONU de casos de crianças mortas ou mutiladas subiu mais de 300%. As organizações humanitárias referem, contudo, que o valor real deve ser significativamente mais elevado, atendendo à dificuldade de verificar o que vai sucedendo em zonas de guerra.
Segundo a Save the Children, o agravar da situação para os menores em áreas de conflito se deve à multiplicação de combates em perímetro urbano assim como ao crescente recurso a bombardeamentos aéreos e artilharia pesada em zonas densamente povoadas.
As crianças estão a serem alvo de táticas cada vez mais cruéis, como a já referida utilização enquanto bombistas suicidas ou acabam por ser vítimas de engenhos explosivos mortíferos ou, no caso dos engenhos explosivos artesanais, podem não matar mas causam ferimentos graves ou obrigam à amputação de membros.
É no Médio Oriente que as crianças se encontram em maior número em áreas de conflito - dois quintos dos menores na região -, seguindo-se África, com 20% a viverem em locais onde decorrem guerras.
"As crianças em zonas de conflito espalhadas pelo mundo estão a ser alvo de uma agressão sem precedentes, com as diferentes partes em conflito a violarem, de forma flagrante, as leis internacionais", disse à Reuters Manuel Fontaine, responsável pelos programas de emergência da UNICEF, a agência da ONU que acompanha as questões relacionadas com as crianças.

Jornalista da Fundação Thomson-Reuters

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