Greenpeace incluída num alerta da polícia anti-terrorismo britânica

A Organização ambientalista surge ao lado de grupos neonazis numa lista entregue a médicos e professores.

Um documento de alerta anti extremismo elaborado pela polícia britânica inclui a organização ambientalista Greenpeace. Na lista, entregue a médicos e professores, constam ainda a associação de defesa de animais PETA (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais), o movimento Extinction Rebellion (que apela à resistência para chamar a atenção sobre questões ambientais), grupos neonazis e de supremacia branca, avança o jornal The Guardian.

O guia com 24 páginas da unidade de contraterrorismo das autoridades britânicas foi criado no âmbito da estratégia "Prevent". O objetivo é identificar possíveis autores de atos terroristas a partir dos exemplos apresentados e prevenir situações limite. O documento aconselha a denuncia de qualquer atividade suspeita relacionada com os movimentos já mencionados através de uma plataforma na Internet, vigiada pela unidade contraterrorismo. Chama-se "A ação combate o terrorismo".

"Juntar ativistas ambientais e organizações terroristas no mesmo saco não vai ajudar a combater o terrorismo. Apenas vai manchar a reputação dos polícias dedicados. Como é que podemos ensinar às crianças a devastação causada pela urgência climática ao mesmo tempo que damos a entender que quem a tenta travar é extremista?", reagiu o diretor executivo da Greenpeace no Reino Unido, John Sauven.

Também na conta de Twitter da organização ambientalista foi publicado um comentário depreciativo sobre decisão da polícia, que caracterizaram como "um falhanço da estratégia preventiva".

Na semana passada, o diário britânico já tinha noticiado a inclusão do grupo Extinction Rebellion nesta lista. E as autoridades admitiram que se tratou de um "erro". Esta sexta-feira, reafirmaram que o guia quer apenas fazer com que a capacidade de identificação de símbolos aumente e que "nem todos os signos e símbolos incluídos no documento têm interesse para o contraterrorismo".

Um dos professores, que recebeu a lista das autoridades, disse, ao The Guardian, que "o documento foi entregue acompanhado por uma orientação a dizer que os professores deveriam usá-lo para identificar símbolos que pudessem surgir nos desenhos dos alunos, refletindo sobre se estes seriam ou não motivo de preocupação".

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