Ghosn defende inocência: "Fugir foi a decisão mais difícil da minha vida"

O magnata deposto do setor automóvel afirmou esta quarta-feira que não teve "outra escolha" senão fugir do Japão, onde é acusado nomeadamente de desfalques financeiros, acusação que considerou hoje "não ter fundamento".

O ex-presidente da Renault-Nissan Carlos Ghosn defendeu esta quarta-feira a sua inocência numa conferência de imprensa em Beirute, na primeira aparição pública depois de ter fugido do Japão para o Líbano, onde chegou em finais de dezembro.

"Não fugi da justiça mas sim da injustiça e da perseguição política" no Japão, assegurou Ghosn, que chegou ao Líbano num avião privado procedente da Turquia.

No mesmo dia em que o ex-presidente da Renault-Nissan apareceu pela primeira vez em público em Beirute desde a sua fuga há uns dias do Japão, o procurador-geral do Líbano, Ghassan Oueidat, convocou Ghosn para ser ouvido na quinta-feira, depois das autoridades libanesas terem recebido um pedido da Interpol sobre o fugitivo, indicou hoje a agência estatal ANN.

A agência adianta que a convocação também está relacionada com "reuniões com responsáveis israelitas" que levaram à apresentação de um processo judicial contra Ghosn no Líbano, país tecnicamente em guerra com Israel.

A procuradoria do Líbano recebeu um pedido da Interpol para deter preventivamente o fugitivo à justiça nipónica, pendente extradição, entrega ou outra ação judicial semelhante.

Na conferência de imprensa desta quarta-feira, o magnata deposto do setor automóvel afirmou que não teve "outra escolha" senão fugir do Japão, onde é acusado nomeadamente de desfalques financeiros, acusação que considerou "não ter fundamento".

À frente de mais de uma centena de jornalistas, Ghosn disse que a sua intenção nesta conferência de imprensa não era divulgar detalhes sobre a forma como fugiu do Japão - no que tem sido noticiado como uma fuga quase cinematográfica, que terá incluído disfarces, viagem numa caixa de instrumentos musicais e passaportes falsos - mas sim limpar o seu nome e explicar porque é que, na sua opinião, "nunca deveria ter sido detido".

Ghosn declarou que era tratado como um "presumível culpado" no Japão, assegurando que a decisão de fugir do país "tinha sido a mais difícil da sua vida".

"Eu nunca devia ter sido preso", afirmou, adiantando que "não está acima da lei e que vê com bons olhos a oportunidade para saber a verdade e ter o seu nome limpo".

Depois de ter sido detido em novembro de 2018 no Japão, Ghosn estava em liberdade sob fiança desde 25 de abril de 2019, com as comunicações e movimentos restringidos e a proibição de sair do país asiático.

O ex-responsável da Renault-Nissan, de 65 anos, afirmou que hoje pode falar "livremente" pela primeira vez e agradeceu às autoridades libanesas "não terem perdido a fé" em si próprio, que tem a nacionalidade do país árabe, a francesa e a brasileira.

Ghosn deveria ser julgado no Japão em abril.

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