Freedom House receia que os EUA não deem prioridade aos direitos humanos

"Posições de Trump durante 2016 suscitaram receios de uma política externa divorciada dos tradicionais compromissos estratégicos dos Estados Unidos com a democracia", indica relatório anual da organização

As posições políticas do novo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suscitaram receio de que o país deixe de dar prioridade aos direitos humanos e à democracia na sua política externa, segundo o relatório anual da organização Freedom House.

"As posições de Trump durante 2016 suscitaram receios de uma política externa divorciada dos tradicionais compromissos estratégicos dos Estados Unidos com a democracia, direitos humanos e ordem internacional baseada nas leis que ajudaram a construir desde 1945", indica o documento da organização norte-americana.

Os autores do relatório, que será hoje apresentado na sede da organização em Washington, consideram que "já não se pode falar com confiança na incorporação da democracia e dos direitos humanos como prioridades na política externa norte-americana".

Após oito anos como Presidente, Barack Obama deixou os Estados Unidos com "uma presença global reduzida" e com "o seu papel de modelo do mundo livre menos claro".

A vitória eleitoral de Trump é um dos "eventos destabilizadores" que, em 2016, deixaram as grandes democracias "aprisionadas" em "ansiedade e indecisão".

Trump é uma "figura volátil" com "pontos de vista não convencionais" na política externa e noutros assuntos, o que desperta "interrogações sobre o papel futuro do país no mundo".

O triunfo eleitoral de um recém-chegado à política como Trump "demonstrou a contínua abertura e dinamismo do sistema norte-americano", no entanto, "os Estados Unidos não são imunes ao tipo de atração populista que tem ressoado de um lado ao outro do Atlântico nos últimos anos".

Os Estados Unidos, classificados como um país "livre" no relatório, estão incluídos na lista de "países a seguir em 2017" porque "a pouco ortodoxa campanha presidencial de Donald Trump deixou interrogações sobre o foco do novo Governo em matéria de liberdades civis e no papel dos Estados Unidos no mundo".

Dos 195 países avaliados pela Freedom House, 87 (45%) estão classificados como "livres", 59 (30%) como "parcialmente livres" e 49 (25%) como "não livres".

As democracias consolidadas do mundo sofreram em 2016 um retrocesso na liberdade devido ao aumento do populismo e nacionalismo, segundo o relatório.

Em anos anteriores, a descida da liberdade concentrou-se sobretudo nas autocracias e ditaduras, que passaram "de mal a pior", mas em 2016 foram as democracias sólidas que registaram perdas mais significativas.

A Freedom House é uma organização sem fins lucrativos sediada em Washington cujo trabalho inclui uma série de pesquisas, defesas e publicações para promover os direitos humanos, a democracia, a economia de livre mercado, o estado de direito e os meios de comunicação independentes, entre outros.

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