Arriscou a vida e revelou imagens inéditas de Fukushima

Fotógrafo foi clandestinamente às quatro cidades fantasma que foram evacuadas após o acidente nuclear de Fukushima

O fotógrafo entrou nalgumas das zonas de Fukushima que foi evacuada após o acidente nuclear de março de 2011 e registou imagens inéditas da destruição nas cidades fantasma japonesas. Keow Wee Loong quis mostrar como tudo parou nesta "terra de ninguém" - e para isso foi para zonas consideradas muito perigosas por causa dos altos níveis de radiação.

O malaio foi clandestinamente e apenas com uma máscara de gás para Tomioka, Okuma, Namie e Futaba, quatro das cidades na Prefeitura de Fukushima que foram evacuadas. Como já não há transportes para estes locais, Keow viajou quatro horas de carro com a sua assistente rumo às zonas vedadas e atravessou 25 quilómetros de floresta de madrugada para não ser apanhado pela polícia.

"Tudo está exatamente onde estava quando o terramoto atingiu esta cidade", escreveu o fotógrafo no Facebook, no domingo. Os jornais e revistas nas prateleira do supermercado têm a data de março de 2011, assim como os calendários pendurados em várias das paredes, como se o tempo não tivesse passado. Muitos dos produtos do supermercado já passaram do prazo e na florista nem os restos das plantas mortas deixam adivinhar que ali houve vida.

As máquinas das lavandarias ainda têm roupa e as cidades estão cheias de resíduos radioativos.

O artista contou à revista Time que não usou um fato contra a radiação, apesar de ter passado em áreas classificadas com o nível vermelho, o mais grave, porque não tinha dinheiro para comprar um. Não é possível determinar a quantidade de radiação a que Keow esteve exposto.

"Gosto de fotografar lugares para onde as pessoas não vão", explicou o fotógrafo malaio à Time. Keow Wee Loong já fotografou arranha-céus e vulcões, colocando-se várias vezes em perigo.

O fotógrafo afirma que as suas intenções não foram políticas, no entanto, quer alertar as pessoas sobre "os efeitos devastadores" da energia nuclear.

"Poucas pessoas têm acesso a esta área", continua. "Eu queria ser o fotógrafo que regista a cena".

A prefeitura de Fukushima foi abalada por um sismo de magnitude 8.9 em março de 2011, que provocou depois um tsunami. Os reatores da central nuclear acabaram por não resistir aos impactes, o que provocou um desastre nuclear. A área foi fortemente exposta a radiação e muitas cidades foram evacuadas, algumas sem previsão de voltarem a ser habitáveis.

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