Florida e Ohio: republicanos têm 15 dias para travar Donald Trump

Magnata republicano ganhou sete dos 11 estados da superterça-feira. Do lado democrata, Hillary Clinton foi a grande vencedora.

Foi numa sala cheia do seu clube Mar-a-Lago em Palm Beach que Donald Trump celebrou a vitória na superterça-feira. O magnata do imobiliário venceu sete dos 11 estados a votos e confirmou o pior pesadelo do Partido Republicano: está cada vez mais perto de conseguir a nomeação para as presidenciais de 8 de novembro nos EUA. E nem o seu tom mais conciliador do que é habitual nem o facto de se ter apresentado como "unificador" do partido, pareceram acalmar os receios dos que veem como um perigo este nova-iorquino que vai no terceiro casamento e contesta as guerras de Bush filho.

Ted Cruz, que com as vitórias em três estados - o seu Texas, Oklahoma e Alasca - está neste momento a apenas 90 delegados de Trump (para obter a nomeação republicana um candidato precisa de 1237 dos delegados à convenção de julho) surge agora como a melhor esperança do establishment do partido para travar Trump. Para isso têm duas semanas até às primárias da Florida e Ohio, no dia 15. É verdade que outros estados vão a votos entretanto, mas estes dois, por valerem muitos delegados e por quem ganhar ficar com todos, podem mudar o rumo da corrida republicana.

Ao final da noite, Cruz deixou claro que a sua candidatura é a única capaz de derrotar Trump. Diante dos apoiantes reunidos no Redneck Country Club em Stafford, o senador do Texas garantiu: "A nossa campanha é a única que já derrotou, que pode derrotar e que vai derrotar Donald Trump". Uma mensagem implícita para que Marco Rubio desista da corrida, juntando-se a Cruz num esforço comum contra o milionário.

Mas o senador da Florida, apesar de apenas ter vencido num estado desta superterça-feira - o Minnesota - não parece disposto a desistir. Até porque as atenções estão todas concentradas agora no seu estado, onde uma vitória poderia dar-lhe o impulso de que precisa para recuperar o lugar de favorito do establishment. "Florida, sei que estás pronta. As sondagens dizem que vimos de longe. Aceito isso. Já todos estivemos lá atrás". E é verdade. O último estudo da universidade Quinnipiac dá 28% das intenções de voto ao senador, longe dos 44% de Trump. Para Jose Mallea, analista político na Florida, o estado "graças ao seu grande número de delegados [99] e com um eleitorado grande e diverso, é o prémio final".

Mais uma vez, Rubio tem 15 dias para inverter a tendência e conquistar o seu estado. Um tempo que John Kasich também espera usar para convencer os eleitores do seu Ohio a darem-lhe a vitória. O governador, que ainda não ganhou nenhum estado e está muito longe dos três principais candidatos republicanos ainda não desistiu da corrida na esperança de conseguir os 66 delegados que lhe podem dar um impulso. As sondagens colocam-no pouco atrás de Trump, com 26% das intenções de voto, contra 31% para o magnata.

Na corrida estava ainda Ben Carson, mas o neurocirurgião anunciou ontem que "não vê como seguir em frente" e já não deverá participar no debate de hoje em Detroit. Se chegarem à convenção sem que nenhum dos candidatos tenha uma clara maioria, o nomeado republicano poderá ser decidido na reunião de 18 a 21 de julho em Cleveland, no Ohio.

Duelo final

Na terça-feira à noite, não foi só Trump quem escolheu a Florida para fazer o discurso da vitória. Em Miami, Hillary Clinton lembrou que "a fasquia nunca esteve tão alta nestas eleições, mas a retórica do outro lado nunca esteve tão baixa". Vencedora em sete das 11 primárias democratas, beneficiando do voto negro e hispânico, a ex-primeira dama quase não referiu Bernie Sanders no seu discurso, centrando os ataques em Trump. Um sinal de que, apesar de o senador ter vencido quatro estados da superterça-feira - inclusive o seu Vermont, onde teve 86% dos votos -, Hillary acredita que a sua grande vantagem em termos de delegados - 1034 contra os 406 de Sanders (precisam de 2383 para garantir a nomeação na convenção marcada para 25 a 28 de julho em Filadélfia, na Pensilvânia) - tornam quase inevitável que seja ela a candidata do partido em novembro.

Trump também não esqueceu a potencial rival democrata no seu discurso, tendo garantido: "Quando acabarmos com isto, vou atrás de uma pessoa: Hillary Clinton".

Apesar de Trump e Hillary parecerem já estar centrados num duelo para as presidenciais, Sanders ainda está firme na corrida. E até referiu o magnata no seu discurso, garantindo aos apoiantes no Vermont: "Não vamos deixar os Donald Trumps deste mundo dividir-nos!"

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