Filhos de migrantes perdidos em labirinto de burocracia

Advogados de imigração estão na linha da frente do reencontro dos pais com os menores separados pela política de Donald Trump

Beata Mariana de Jesus Mejia-Mejia, requerente de asilo da Guatemala de 38 anos, reencontrou-se em lágrimas com o filho Darwin, de 7, um mês após terem sido separados pelos serviços de imigração dos EUA. O reencontro, no aeroporto de Baltimore-Washington, só foi possível depois de Beata ter apresentado queixa contra várias agências governamentais e responsáveis do governo de Donald Trump - antes do processo começar, chegou a acordo para rever o filho. Mas este é só um caso e ainda há muitos menores separados dos pais.

Beata, que fugiu da Guatemala por causa de violência doméstica e ameaças de gangues, tentava há semanas encontrar o filho. Primeiro, desde o interior do centro de detenção do Arizona, para onde foi enviada. E, depois de uma associação lhe pagar a fiança e ajudar com o aconselhamento legal, desde a casa de uma amiga, no Texas. Finalmente descobriu que Darwin estava num centro no Arizona, a 90 quilómetros de onde tinha estado.

Burocracia

"É um labirinto completo." O desabafo é de Jodi Goodwin, uma advogada em Harlingen, no Texas, que já ouviu as histórias de mais de duas dúzias de mães centro-americanas sobre como se separaram dos filhos, ao entrar ilegalmente nos EUA. Até agora, contou ao The Washington Post, só conseguiu localizar uma criança no meio da burocracia.

Apesar de o presidente norte-americano ter dado ordens para acabar com a separação das famílias, Trump tem feito muito pouco para pouco para ajudar na altura de os voltar a reunir.

Os advogados de imigração estão na linha da frente daqueles que estão a ajudar os pais e filhos separados na fronteira, com dezenas de organizações a recolher fundos para poder pagar os honorários ou as fianças dos progenitores. Há ainda vários advogados voluntários que estão a chegar aos estados fronteiriços, oferecendo os seus préstimos.

Enquanto tratam do processo dos pais, que ao abrigo da política de tolerância zero de Trump são acusados de entrar ilegalmente no país, os advogados procuram encontrar as crianças. Progenitores (quer fiquem detidos, quer paguem fiança enquanto aguardam decisão de asilo) e menores estão sob a alçada de organismos diferentes, que trabalham de forma independente. Quando encontram as crianças, os advogados tentam pô-las em contacto com os pais, o que também não é fácil. Há casos em que eles foram deportados sem os filhos.

500 em mais de 2300

Segundo um oficial da Administração de Trump, que falou sob anonimato à agência de notícias AP, dos mais de 2300 menores que foram separados dos pais desde meados de abril e o início de junho, cerca de 500 já se encontram novamente com a família. As autoridades estão a trabalhar num sistema centralizado que permita facilitar o processo. Até agora, as mães e pais que são separados dos filhos recebiam um número de telefone, para onde depois podiam ligar, mas estando detidos nem sempre conseguiam fazê-lo.

Na quarta-feira, Trump assinou a ordem executiva para travar a separação de pais e filhos, decretando que ambos ficassem detidos no mesmo local. Entretanto, o exército norte-americano recebeu instruções para preparar alojamento para 20 mil crianças.

"Não percam tempo"

Trump, que sempre insistiu que só o Congresso podia acabar com a separação das famílias mudando a lei, disse ontem aos republicanos que é melhor esquecerem os planos de aprovar nova legislação até depois das eleições de novembro. "Os republicanos deviam deixar de perder tempo na imigração até elegermos mais senadores e congressistas", escreveu no Twitter, acusando os democratas de "brincar" com o tema e de espalharem "falsas histórias de tristeza e dor" dos migrantes.

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