Ex-chefe de Estado François Bozizé apela à população para não votar nas presidenciais

O ex-chefe de Estado François Bozizé, cuja candidatura foi invalidada, apelou este domingo à população para não votar nas eleições presidenciais na República Centro-Africana, apoiando os rebeldes que lançaram uma ofensiva contra o atual Presidente e candidato favorito Faustin Touadéra.

"Meus compatriotas, peço-vos para não irem votar. Fiquem em casa. Deixem Touadéra ir sozinho às urnas", apela numa mensagem de áudio divulgada na internet e autenticada pelo seu partido à agência de notícias AFP.

"Apoio o CPC", declarou, referindo-se à Coligação para a Mudança, um dos grupos armados mais poderosos que ocupou dois terços da República Centro-Africana, país em guerra civil desde 2013, e onde estão em missão 243 militares portugueses.

François Bozizé tinha sido acusado por Faustin Archange Touadéra de uma "tentativa de golpe de Estado" à frente do CPC assim que a coligação anunciou que estava a "caminhar sobre Bangui" em 19 de dezembro, o que o partido do antigo Presidente, derrubado em 2013 por um golpe de Estado que marcou o início da guerra civil, tinha negado.

A candidatura de Bozizé às eleições presidenciais foi invalidada no início de dezembro pelo Tribunal Constitucional, alegando que as sanções das Nações Unidas devido ao seu alegado apoio às milícias eram incompatíveis com uma candidatura à presidência.

Depois de aceitar que a sua candidatura tinha sido invalidada, Bozizé, que parecia ser o único capaz de competir com Touadéra nas presidenciais, tinha apelado ao voto do ex-primeiro-ministro Anicet Georges Dologuélé

"O CPC ocupa atualmente uma importante parte do território. Hoje, este movimento patriótico está a reunir um número considerável de forças policiais dentro dele", sublinha Bozizé na sua mensagem.

A população da República Centro-Africana (RCA) está a ser chamada às urnas este domingo (27 de dezembro) para eleger o Presidente do país e decidir a composição da Assembleia Nacional da RCA.

A corrida presidencial e conta com 17 nomes no boletim de voto, incluindo o de Anicet-Georges Dologuélé, candidato do partido União para a Renovação Centro-Africana, que nas anteriores eleições disputou a segunda volta frente a Touadéra.

Na primeira ronda dessas eleições, realizada em 30 de dezembro de 2015, Dologuélé recolheu 23,74% dos votos, tendo sido derrotado por Touadéra na segunda volta, com o agora Presidente cessante a conquistar 62,71% dos boletins.

Ao contrário das eleições de 2015 e 2016, até agora ainda não é conhecido publicamente o número de eleitores registados para votar, mas a média dos últimos dois atos eleitorais ronda os 1,8 milhões, no país com uma população estimada de 4,87 milhões de habitantes.

Entre os candidatos encontram-se os "repetentes" da anterior eleição presidencial Désiré Kolingba, Martin Ziguélé, Sylvain Patassé, Abdoul Karim Meckassoua, Cyriaque Gonda e Jean-Serge Bokassa.

No boletim de voto constam também os nomes dos antigos primeiros-ministros Mahamat Kamoun e Nicolas Tiangaye, o antigo presidente do Conselho Nacional de Transição Alexandre-Ferdinand Nguendet, a antiga presidente-interina do país Catherine Samba-Panza, Augustin Agou, Crépin Mboli Goumba, Serge Djorie, Eloi Anguimaté e Aristide Reboas.

As eleições realizam-se depois de uma crescente tensão na última semana, marcada pelo estabelecimento de uma coligação entre líderes dos três principais grupos armados, que ocupam grande parte do território da RCA e conduzem uma ofensiva no norte e oeste do país.

No sábado, a ONU anunciou a morte de três capacetes-azuis do Brurundi nos confrontos.

A República Centro-Africana foi devastada pela guerra civil depois de uma coligação de grupos armados dominados por muçulmanos, a Séléka, ter derrubado o regime do Presidente François Bozizé em 2013.

Os confrontos entre a Séléka e milícias cristãs e animistas anti-Balaka provocaram milhares de mortes.

Portugal tem atualmente na RCA 243 militares, dos quais 188 integram a missão da ONU (Minusca) e 55 participam na missão de treino da União Europeia (EUTM), liderada por Portugal, pelo brigadeiro general Neves de Abreu, até setembro de 2021.

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