Carta oficial indica saída do Iraque. Pentágono diz que ainda não há decisão

A informação foi veiculada através de uma carta assinada pelo chefe das Forças Armadas dos EUA no Iraque. Mas o secretário de Defesa Mark Esper diz que "não foi tomada nenhuma decisão de retirada do Iraque" e o Pentágono desculpa-se: "Foi enviada por engano."

As forças armadas americanas informaram, através de uma carta oficial, o ministério da Defesa iraquiano que iriam iniciar movimentações para "sair do Iraque". O anúncio foi feito esta segunda-feira (6 de janeiro), um dia depois do Parlamento iraquiano exigir ao Governo que expulsasse as tropas norte-americanas. Contudo, o secretário de Defesa Mark Esper já veio dizer que "não há nenhuma decisão tomada nesse sentido".

A informação foi veiculada através de uma carta assinada pelo chefe das Forças Armadas dos EUA no Iraque, o brigadeiro-general William Seely, e dirigida ao chefe em funções de comando nas operações militares do Iraque, de acordo com a AFP, que viu uma cópia da missiva.

Em declarações aos jornalista, Mark Esper, o homem-forte da Defesa norte-americana desmentiu que a retirada fosse um dado adquirido: "Estamos a reposicionar forças em toda a região. Não sei sobre a veracidade dessa carta. Essa carta é inconsistente com a posição que temos agora", disse.

"Não houve nenhuma decisão de deixar o Iraque", assegura Esper.

O chefe do Pentágono, Mark Milley, confirmou que a carta era "genuína", mas não devia ter sido enviada agora. "Foi um erro de McKenzie", disse Milley, referindo-se ao comandante do Comando Central dos EUA, general Frank McKenzie .

"Não deveria ter sido enviada", resumiu Milley.

Na carta, enviada esta segunda-feira, é dito que as forças da coligação liderada pelos EUA "reposicionariam as [suas] forças ao longo dos próximos dias e semanas para se prepararem para a retirada".

"Para conduzir essa tarefa, as forças da coligação têm de tomar certas medidas para garantir que a retirada do Iraque seja conduzida de maneira segura e eficiente", lê-se também.

Como a carta foi assinada por uma autoridade dos EUA, não ficou claro se ela se aplicava às forças dos 76 países que compõem a coligação internacional.

Um oficial de defesa dos EUA e um oficial de defesa iraquiano confirmaram que a carta era real e que tinha sido entregue.

Foi ainda informado, na carta, que helicópteros iriam sobrevoar áreas fora e dentro da Zona Verde como parte dos preparativos para a retirada e a AFP confirma ter ouvido o som de helicópteros a voar a altitudes baixas e sobre Bagdad toda a noite desta segunda-feira.

São cerca de 5.200 os soldados norte-americanos destacados em bases iraquianas para apoiar as tropas locais na luta contra o ressurgir do grupo Estado Islâmico.

Os militares dos EUA formam a maior parte do exército da coligação, convidada pelo governo iraquiano em 2014 para ajudar a combater os jihadistas.

No domingo, o Parlamento do Iraque votou a favor da retirada do convite e da expulsão de todas as tropas estrangeiras do país, depois da morte do general iraniano Qasem Soleimani e do principal comandante iraquiano Abu Mahdi al-Muhandis, entre outros, no seguimento de um ataque de um drone ordenado por Donald Trump.

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