EUA avisam que vão tomar nota dos países que criticarem decisão sobre Jerusalém

Representante Permanente dos EUA nas Nações Unidas escreveu no Twitter que o país vai tomar nota dos países que votarem contra a decisão de Trump

A Embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, Nikki Haley, avisou que o presidente norte-americano lhe pediu que anotasse os nomes dos países que votarem "contra" Washington na reunião de amanhã sobre a decisão de Donald Trump de reconhecer Jerusalém como capital de Israel.

Trump reconheceu este mês Jerusalém como capital israelita, pondo termo a décadas de um consenso internacional segundo o qual o estatuto definitivo da cidade deve ser acordado no âmbito de um processo de paz entre israelitas e palestinianos. Trump tenciona mesmo mudar a Embaixada dos EUA, que de momento se mantém em Telavive.

A sessão especial, solicitada pelos países árabes, acontece depois de Washington ter vetado, na segunda-feira, uma resolução com o mesmo fim do Conselho de Segurança. Os outros 14 membros do órgão - incluindo os seus aliados mais próximos - votaram a favor de uma resolução que pedia aos Estados Unidos que recuassem no reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel e reiterava a doutrina da ONU sobre a cidade que alberga os lugares santos das três grandes religiões monoteístas.

Nikki Haley escreveu numa publicação no Twitter: "Nas Nações Unidas, pedem-nos constantemente que façamos mais e que dêmos mais. Por isso, quando tomamos uma decisão, pela vontade dos americanos, sobre onde localizarmos a NOSSA embaixada, não esperamos que aqueles que ajudámos nos coloquem como alvo. Na quinta-feira, vai haver uma votação a criticar a nossa escolha. Os EUA vão apontar os nomes.".

Numa carta para dezenas de Estados-membros, citada pela BBC, Haley refere que o "presidente e os EUA vão tomar os votos como pessoais" e que "o presidente vai observar esta votação com toda a atenção e pediu-me que anotasse todos os países que votarem contra nós. Vamos tomar todos os apontamentos sobre o assunto."

"O anúncio do presidente não afeta o estado final das negociações de maneira nenhuma, incluindo os limites específicos da soberania de Israel em Jerusalém", avança. "O presidente também fez questão de apoiar o status quo dos locais sagrados de Jerusalém".

As palavras de Nikki Haley foram denunciadas hoje em Istambul pelo chefe da diplomacia palestiniana, Riyad al-Malki, que afirmou que os Estados Unidos estão a recorrer a "ameaças" e a "intimidações" para tentar dissuadir os membros da Assembleia-geral das Nações Unidas de condenar o reconhecimento norte-americano de Jerusalém como capital de Israel.

"Amanhã [quinta-feira] veremos quantos países vão optar por votar (com) a sua consciência. Eles votarão pela justiça e votarão a favor desta resolução", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros palestiniano, numa conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo turco, Mevlut Cavusoglu.

O ministro turco disse, por sua vez, acreditar que os países-membros da Assembleia-geral da ONU vão ignorar a pressão norte-americana e vão votar em consciência esta resolução sem caráter vinculativo.

"O mundo mudou. A crença de que 'eu sou forte, portanto, estou certo' mudou. O mundo de hoje está a revoltar-se contra as injustiças", declarou Mevlut Cavusoglu.

"Nenhum Estado honrado vai inclinar-se perante tal pressão", reforçou o chefe da diplomacia da Turquia.

Os dois ministros estarão em Nova Iorque para participar na votação de quinta-feira.

A Assembleia-geral da ONU integra 193 países e a resolução a votos na quinta-feira poderá conseguir cerca de 180 votos, segundo fontes citadas pela AFP.

Ao contrário do que se passa no Conselho de Segurança (os cinco membros permanentes do órgão têm direito de veto), na Assembleia-geral não há direito de veto e os textos adotados não são vinculativos.

Israel ocupa Jerusalém Oriental desde 1967 e, em 1980, anexou e proclamou a cidade como sua capital indivisa. A comunidade internacional nunca reconheceu Jerusalém como capital de Israel, nem a anexação da parte oriental da cidade.

No passado dia 13, os países da Organização para a Cooperação Islâmica acordaram, numa cimeira em Istambul, reconhecer Jerusalém Oriental como a capital de um futuro Estado palestiniano e convidaram o resto do mundo a fazer o mesmo.

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