Estado Islâmico ataca com drones para travar ofensiva sobre Mossul

Recurso a aviões não tripulados veio criar novo perigo na ofensiva sobre a cidade iraquiana e está a atrasar o seu progresso.

À medida que se intensifica a pressão sobre Mossul e se multiplicam os reveses no terreno, quer no Iraque quer na Síria, o Estado Islâmico (EI, também conhecido pela sigla em inglês ISIS) recorre a novas táticas na tentativa de minimizar as derrotas. A mais recente inovação foi detetada, exatamente, na frente de combate da segunda mais importante cidade iraquiana, que está sob cerco das forças do governo de Bagdad desde outubro de 2016, e consiste no uso de aviões não tripulados (drones) para lançar granadas e outros engenhos explosivos sobre os atacantes.

"Nos últimos dois meses, temos visto atividade de drones do ISIS todos os dias na região de Mossul", afirmou um porta-voz do Comando Central dos Estados Unidos ao site de questões militares Defense One. Os EUA apoiam a ofensiva das forças iraquianas com treino e enquadramento de forças especiais, informações sobre a situação no terreno e operações aéreas sobre alvos do EI.

O porta-voz militar americano indicou ainda que, desde janeiro, instalações em Mossul e noutros pontos do Iraque e da Síria onde são construídos ou mantidos os drones têm vindo a ser atacados. "Temos atacado uma série de instalações na região, onde acreditamos estarem aviões não tripulados", como parte de uma estratégia que visa "a máxima destruição de alvos que enfraqueçam o ISIS", explicou aquela fonte.

Desde o início de 2017 que as forças iraquianas têm sido atacadas por drones do EI no teatro de operações de Mossul, especialmente quadricópteros. Estes engenhos são, na maioria, modelos comerciais mas os islamitas também produzem veículos próprios. Por exemplo, em agosto de 2015, quando se iniciou a ofensiva iraquiana para desalojar o EI do país, foi encontrada uma fábrica de aviões não tripulados em Ramadi. Alguns dos engenhos encontrados apresentavam ar bastante artesanal, foi referido na época.

De início, os elementos do ISIS usavam os drones para operações de vigilância, mas, com a deterioração da situação no terreno, ampliaram o seu uso, concebendo até o que americanos e iraquianos chamam "drone suicida".

O primeiro registo de uma utilização deste tipo sucedeu em outubro, no início da batalha por Mossul, quando um drone caiu perto de uma posição de forças curdas nos arredores da cidade. Quando os combatentes curdos começaram a inspecioná-lo, explodiu de súbito. Morreram dois peshmergas e ficaram feridos dois elementos das forças especiais francesas que enquadram algumas unidades curdas.

Ainda que militarmente não muito eficazes, o recurso aos drones pelo EI retarda o avanço das unidades de infantaria e leva-as a um gasto acrescido de munições. "Vemos agora com frequência as forças iraquianas a dispararem freneticamente para o ar, como se costuma fazer nos casamentos neste país. Não é uso otimizado de munições!", referiu um analista militar, Peter Singer, ao Defense One.

A ameaça colocada pelos aviões não tripulados na batalha por Mossul está a levar o exército americano a considerar a hipótese de introduzir nas suas unidades um novo posto de atirador especializado: o operador da espingarda antidrone, que já é produzida. Em resposta a uma ameaça identificada desde há algum tempo. Um relatório do Centro de Luta Antiterrorista de West Point notava em outubro que a popularização dos drones, uma maior segurança dos instrumentos de controlo e direção do aparelho e uma maior capacidade dos seus motores torna inevitável "uma maior capacidade de transporte de maiores cargas e de voos mais longos, a maior distância do ponto onde se encontra o seu operador".

Mossul está sob controlo do EI desde junho de 2014, quando o grupo ocupou parte significativa do Norte e da região Centro do Iraque. Atualmente, apenas esta cidade permanece nas suas mãos, estimando as Nações Unidas estarem aqui entre 700 mil e 800 mil civis reféns dos islamitas.

A parte oriental da cidade e seus arredores já foi resgatada ao EI, tendo-se iniciado no passado fim de semana a ofensiva sobre a parte ocidental e o miolo urbano propriamente dito.

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