"Esperança dos palestinianos aumentou quando ouviram Trump"

Conselheiro da missão diplomática palestiniana, Fadi Alzaben, fala ao DN sobre as consequências do conflito de há 50 anos.

Que consequências para os palestinianos da Guerra dos Seis Dias?

A guerra teve repercussões negativas e perigosas para os palestinianos, resultando na ocupação de territórios de outro povo à força, em violação das leis internacionais. Uma parte deste povo tem vivido sob condições de injustiça, opressão e sofrimento quotidiano. A outra parte foi deslocada, à força, para países vizinhos. Durante os 50 anos desta ocupação, a mais longa da história contemporânea, este povo não usufruiu, nem por um dia sequer, de justiça. Os mais velhos testemunharam o início da ocupação, enquanto a maioria, os jovens, nasceu sob a ocupação, exigindo viver livres, como o resto dos povos.

Os países árabes têm apoiado os palestinianos adequadamente?

Os países árabes ficaram sempre do lado do povo palestiniano na luta contra a ocupação, exigiram e ainda exigem a paz. Relembramos a iniciativa árabe em 2002, que prevê o reconhecimento de Israel e a normalização das relações, com a condição que este se retire dos territórios árabes ocupados em 1967. A ser cumprida esta iniciativa significaria que Israel iria hastear a sua bandeira em mais de 75 países árabes e islâmicos, mas Israel continua a preferir a ocupação ao invés da paz.

Que papel pode ter a comunidade internacional?

Aproveitamos este momento para agradecer a todos os que ficaram ao lado do povo palestiniano durante a sua luta pela liberdade e pela paz. Luta esta que não pode ser alcançada sem uma postura internacional firme contra a ocupação. Todos os países do mundo rejeitam a colonização e a política de confiscação de terras palestinianas. No entanto, infelizmente, Israel e o governo de Netanyahu ignoram as críticas do mundo e continuam a confiscar terras e construir colonatos. Assim, apelamos ao mundo para que tome decisões firmes contra a ocupação e reconheça o Estado da Palestina, da mesma forma que reconheceram o Estado de Israel. A falta de reconhecimento significa incentivar a ocupação.

Há um conflito entre as formações que representam os palestinianos. Que consequências tem isso?

O povo palestiniano acredita na democracia e na diversidade política e, tal como no resto do mundo, há partidos e pontos de vista diferentes. Infelizmente a democracia e a liberdade são dois lados da mesma moeda. Na presença da ocupação e na ausência da liberdade, a democracia torna-se inatingível. A falta de ligação geográfica entre Cis-jordânia e Gaza, resultado da ocupação, reflete-se negativamente nas instituições democráticas principais, tal como as autoridades judiciárias e legislativas.

Mahmoud Abbas esteve na Casa Branca e foram ouvidas palavras de otimismo sobre uma solução para o conflito israelo-palestiniano. Há bases para isso?

Somos um povo que ama a paz, mas infelizmente muitos pensam que a chave da paz está com os EUA. Por isso, sempre que há eleições neste país, o mundo fica a aguardar pelo que fará o presidente eleito no processo de paz. A esperança dos palestinianos aumentou quando ouviram as declarações do presidente Trump e a sua vontade em alcançar a paz. Esta posição é semelhante à promessa do presidente Obama no seu famoso discurso no Cairo após eleição. Acreditamos no papel fundamental dos países do mundo, mas especialmente no papel dos países da UE no processo de paz, ao invés de esperar pelos EUA. Estes países têm diferentes interesses económicos, para além da sua proximidade ao Médio Oriente. Acreditamos que a paz será alcançada através das negociações entre israelitas e palestinianos, mas sob a supervisão internacional que define os princípios e calendário das negociações. Deixar os fracos e os fortes pedindo-lhes para encontrar uma solução não resulta, pois o ocupante não vai abdicar do que ocupou, sem uma posição internacional firme para impor a paz que Israel rejeita.

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