Desespero no Open Arms. Migrantes atiram-se ao mar

Quatro pessoas tentaram nadar até terra firme, tal é a aflição que se vive dentro da embarcação. Espanha ofereceu-se para receber o navio, mas a organização humanitária rejeitou alegando que a viagem dura uma semana. Madrid fez uma segunda oferta: um porto das ilhas Baleares

As imagens mostram o desespero em que se encontram os 107 migrantes que há duas semanas esperam para desembarcar do navio Open Arms: quatro pessoas atiraram-se ao mar para tentar chegar a terra firme.

A ONG espanhola Proativa Open Arms diz que a situação no barco está a tornar-se insustentável e garante que os 107 imigrantes a bordo precisam de desembarcar imediatamente. Por isso foi recusada a oferta do governo espanhol para os acolher no porto de Algeciras - a organização não quer sujeitar os migrantes uma travessia até ao sul de Espanha, que duraria uma semana, quando está mesmo frente à ilha italiana de Lampedusa.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, esclarece que decidiu tomar a decisão de acolher os imigrantes devido à situação de emergência a bordo, de acordo com um comunicado da presidência do governo de Madrid, citado pelo El País.

Ora é precisamente por se encontrar junto a Lampedusa que um porta-voz da ONG espanhola Proativa Open Arms, que opera o barco, explicou ter de recusar a oferta de Espanha. A organização garante que os 107 imigrantes a bordo precisam de desembarcar imediatamente, recusando sujeitá-los a uma travessia até ao sul de Espanha.

"De Lampedusa a Algeciras são sete dias de navegação, é inverosímil viajar com 107 pessoas a bordo nas condições em que estamos", disse Gatti, porta-voz da ONG , citado pelo jornal La Repubblica.

Perante esta recusa, o executivo espanhol fez uma segunda oferta, para um porto mais próximo, nas ilhas Baleares. Em princípio o porto de Palma, em Maiorca. A organização ainda não deu resposta.

"Há ansiedade, episódios de violência, o controlo da situação é cada vez mais difícil. Iniciar uma viagem de seis dias com estas pessoas a bordo, que estão no limite das suas possibilidades, seria uma loucura. Não podemos pôr a saúde e a vida delas em risco", tinha também referido ou outra das porta-vozes da associação, Laura Lanuza, à Associated Press.

O fundador da ONG, Óscar Camps, divulgou uma mensagem no Twitter no mesmo sentido: "Depois de 26 dias de missão, 17 dias de espera com 134 pessoas a bordo, uma resolução judicial a favor e seis países dispostos a acolher, querem que naveguemos 950 milhas, uns cinco dias mais, até ao porto mais distante do Mediterrâneo, com uma situação insustentável a bordo?", questionou.

Espanha quer dar resposta humanitária

"A resposta inconcebível das autoridades italianas, e especificamente do seu ministro do Interior, Matteo Salvini, de fechar todos os seus portos, e as dificuldades expostas por outros países do Mediterrâneo Central, levaram a Espanha a liderar novamente a resposta à crise humanitária ", lê-se no documento do primeiro-ministro espanhol em que fez a primeira oferta.

Sánchez anunciou a decisão também no Twitter. "Espanha atua sempre diante de emergências humanitárias. É necessário estabelecer uma solução europeia, ordenada e solidária, [aplicando] os valores do progresso e humanismo da UE ao desafio da imigração", escreveu.

Esta decisão surge depois de, no sábado, e contra a sua vontade, Matteo Salvini, vice-presidente e ministro do Interior da Itália, ter autorizado o desembarque de 27 menores do navio humanitário espanhol.

"Eu faço isto contra a minha vontade", fez questão de dizer. A decisão surge só "porque o primeiro-ministro me pediu", esclareceu o ministro, citado pelo La Repubblica.

A Proativa Open Arms, esclareceu no Twitter que a autorização é apenas relativa a 27 menores não acompanhados, de um total de 29 menores a bordo.

O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, enviou este sábado a Salvini, líder do partido de extrema-direita Liga, uma carta de três páginas pedindo que os menores sejam autorizados a deixar o navio.

No Twitter, a Open Arms indicou que pediu algum tempo para proceder à retirada dos menores "para comunicar a decisão de forma adequada" e manter a calma entre os passageiros, num contexto, descrito horas antes pelo fundador da ONG, Óscar Camps, como uma "situação fora de controlo" em que os voluntários não podem "garantir a segurança" das pessoas a bordo e receiam um motim.

Atualizada às 13:41

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