Erupção vulcão White Island. Operação arriscada para resgatar desaparecidos

Duas vítimas não resistiram aos ferimentos e o número de mortes subiu para oito. Estão desaparecidas oito pessoas, que estão presumivelmente mortas. Apesar do perigo iminente de novas erupções em White Island, as autoridades neozelandesas estão a preparar um plano de resgate para esta sexta-feira.

É considerada uma missão de alto risco. As autoridades da Nova Zelândia estão a preparar para esta sexta-feira uma operação de resgate dos oito desaparecidos que estão em White Island. Suspeita-se que estejam mortos. O número de vítimas mortais confirmadas aumentou para oito, depois de duas pessoas não terem resistido aos ferimentos na sequência da erupção do vulcão que ocorreu na segunda-feira. Vinte e uma pessoas permanecem nos cuidados intensivos, a maioria com queimaduras em mais de 30% do corpo.

"Estamos a finalizar um plano para recuperar amanhã (sexta-feira) os corpos da White Island", declarou John Tims, comissário adjunto da polícia, em comunicado divulgado esta quinta-feira. Está previsto que a operação de resgate envolva oito militares que deverão chegar à ilha na manhã de sexta-feira, madrugada em Lisboa.

A missão tem sido adiada devido ao aumento da atividade vulcânica registado nas últimas horas. Os vulcanologistas da Geonet referiram na quarta-feira que há entre 50 a 60% de possibilidade de ocorrer uma nova erupção. Um perigo que o vice-comissário da polícia, Mike Clement, deu conta aos jornalistas. O vulcão é ainda "altamente volátil", afirmou.

O desespero das famílias fez, no entanto, com que se avançasse para a operação de resgate, que se espera que seja o mais rápida possível, tendo em conta os riscos que acarreta. Além de recuperar os corpos, a missão tem ainda como objetivo recolher todos os indícios que permitam identificar as vítimas.

"Não há uma pessoa nesta sala com mais vontade de ir para aquela ilha do que a polícia"

"Há um crescente desespero das famílias" para trazer para casa os seus entes queridos, "que sabemos que estão lá", afirmou Judy Turner, a presidente da câmara de Whakatane, a cidade do continente que está mais próxima da ilha.

"A frustração das famílias mais afetadas é completamente compreensível. Nenhuma notícia é boa para as pessoas nesta situação", acrescentou Turner citada pela Reuters.

"Não há uma pessoa nesta sala com mais vontade de ir para aquela ilha do que a polícia - é este o nosso compromisso com esta comunidade, com estas famílias, eu sei que toda a gente está de olhos postos em nós", afirmou Mike Clement.

Seis corpos localizados

"Muita coisa tem de dar certo para que isto funcione. Não há risco zero em relação ao plano", sublinhou Mike Clement sobre a operação.

Depois de sobrevoarem a ilha por diversas vezes, as autoridades conseguiram localizar seis corpos. O paradeiro dos outros dois desaparecidos não é ainda conhecido, mas não há sinais de vida na ilha. "Vamos ter uma oportunidade muito limitada para procurar" os outros corpos, afirmou Clement.

A missão levada a cabo pelos militares das Forças Armadas neozelandesas vai ser acompanhada por vulcanólogos que vão monitorizar em tempo real a atividade vulcânica da ilha, conta o The Guardian.

A erupção, ocorrida às 14:11 de segunda-feira (01:11 em Lisboa), libertou uma espessa nuvem de fumo branco, a uma altura de 3,6 quilómetros.

Estavam 47 pessoas na ilha quando o vulcão entrou em erupção. A maioria são turistas australianos, mas estavam também chineses, britânicos, norte-americanos, alemães, neozelandeses e um cidadão da Malásia.

Imagens captadas por uma câmara no local mostraram um grupo de meia dúzia de pessoas a andar pela cratera, alguns segundos antes da erupção do Whakaari.

Na terça-feira, a polícia fez saber que estão a ser investigadas as mortes decorrentes da erupção do vulcão, mas esclareceu, mais tarde, que não se tratava de uma investigação criminal.

A 3 de dezembro, o grupo de controlo de atividades geológicas da GeoNet alertou que o vulcão "entrou num período de atividade eruptiva", embora tenha apontado que a situação não representava "um perigo direto para os visitantes". De referir que as excursões diárias levam à ilha mais de 10 mil visitantes todos os anos.

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