Donald Tusk: "Comparar UE e URSS é insultante e pouco inteligente"

Presidente do Conselho Europeu reage a declarações do ministro inglês dos Negócios Estrangeiros, Jeremy Hunt, que comparou a União Europeia (UE) à União Soviética (URSS)

O ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, Jeremy Hunt, causou polémica no domingo ao comparar a União Europeia (UE) à União Soviética (URSS), acusando a UE de tentar impedir a saída de qualquer membro do bloco, a propósito do Brexit.

Agora, quatro dias depois, obteve resposta por parte do Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, que esta quinta-feira recebeu o primeiro ministro irlandês Leo Varadkar em Bruxelas. "Compararem-nos com a URSS é insultante e pouco inteligente. A União Soviética era prisões, gulags [campos de trabalhos forçados] e violência contra os cidadãos. A UE é liberdades, direitos humanos, paz, prosperidade e vida sem medo. É democracia e pluralismo. Um continente sem fronteiras internas. Como presidente do Conselho Europeu e alguém que passou metade da sua vida no bloco soviético, sei do que falo", lamentou, alertando que "a União Soviética continua viva", a propósito do ataque de Skripal e a denúncia da Holanda sobre ciberataques recentes.

"Dizer a verdade, inclusivamente se é difícil e desagradável, é a melhor maneira de lidar com os parceiros. Queremos trabalhar de forma prática e realista para minimizar os danos provocados pelo Brexit em ambos os lados do canal [da Mancha]. As discussões emocionais que apelam à dignidade e à confrontação não levaram a nada de bom. A tarefa dos nossos negociadores é defender os interesses da UE e dos 27. Lamento que o Reino Unido queira sair e esperamos ter a melhor relação possível no futuro, mas nada pode esperar que devido ao Brexit renunciaremos aos nossos valores fundamentais e aos nossos interesses", refere o comunicado conjunto de Tusk e de Varadkar, com a primeira-ministra britânica Theresa May como destinatária implícita.

Um dos assuntos mais sensíveis nas negociações entre UE e Reino Unido é precisamente a questão irlandesa. Os britânicos ainda não encontraram solução para que, após o Brexit, não haja "fronteiras rígidas", como antigamente, entre Irlanda e Irlanda do Norte. "Quero agradecer às instituições a solidariedade para com a Irlanda, agora que estamos a entrar na fase crítica das negociações com o Reino Unido. A nossa posição é a mesma desde o começo deste processo, queremos quatro coisas para minimizar os danos do Brexit: proteger a área de livre circulação, a não existência de fronteiras rígidas, proteger os direitos dos cidadãos da Irlanda do Norte (mantendo-os como irlandeses e consequentemente como europeus) e uma relação comercial tão próxima quanto possível do Reino Unido", afirmou o primeiro-ministro irlandês.

O Brexit será abordado diretamente entre Conselho Europeu e todos os chefes de Estado dos 27 membros da UE dentro de duas semanas e o objetivo é encerrar o acordo o mais cedo possível.

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