Diplomata confirma. EUA congelaram ajuda militar à Ucrânia para esta investigar Biden

O diplomata William Taylor disse ter a "compreensão clara" da troca de favores pedida pela Casa Branca à Ucrânia para benefício de Donald Trump.

Um diplomata do Departamento de Estado afirmou aos congressistas que tinha uma "compreensão clara" de que o governo dos EUA pretendia congelar a ajuda militar à Ucrânia até que esta investigasse adversários políticos do presidente norte-americano, Donald Trump, como este queria.

Segundo a transcrição, feita na quarta-feira, de um depoimento prestado à porta fechada a congressistas, William Taylor disse-lhes que percebeu que a ajuda militar à Ucrânia, e não apenas a marcação de uma reunião do novo presidente ucraniano com Trump, estava pendente do compromisso de Kiev com a realização de investigações ao ex-vice-presidente Joe Biden.

"Esta era a minha clara compreensão: o dinheiro para a assistência de segurança não seria disponibilizado até que o presidente [da Ucrânia] se comprometesse em fazer a investigação", afirmou Taylor, que é o principal diplomata dos EUA para a Ucrânia.

O diplomata foi ainda interrogado sobre se estava ciente de que a expressão 'quid pro quo' significava "isto por isso", ou seja, troca de favores. "Estava", respondeu.

Este testemunho de Taylor reforçou a ligação do governo de Trump ao designado acordo 'quid pro quo' com a Ucrânia, que está agora no centro do inquérito da Câmara dos Representantes com vista à destituição de Trump.

A divulgação da transcrição ocorreu em pleno lançamento pelos democratas de uma nova fase da investigação, com audiências públicas programadas para a próxima semana em que se esperam depoimentos de membros do Departamento de Estado.

O presidente da comissão de Serviços Secretos da Câmara dos Representantes, Adam Schiff, que está a liderar as investigações, afirmou que na lista de personalidades a ouvir estão o diplomata de carreira George Kent e a antiga embaixadora norte-americana na Ucrânia, Marie Yovanovitch.

Todos os três já testemunharam à porta fechada na primeira fase das investigações.

Yovanovitch, que foi demitida em maio por ordem de Donald Trump, revelou aos congressistas que lhe recomendaram "para olhar para trás" e que havia pessoas que estavam a "procurar fazer-lhe mal".

Já Kent e Taylor disseram que tinham transmitido as suas preocupações com a demissão de Yovanovitch perante a liderança assumida pelo advogado de Trump, Rudy Giuliani, na política dos EUA relativa à Ucrânia.

Trump tem negado qualquer má prática. Mas apesar destas negações, Schiff afirmou na quarta-feira que as testemunhas vão mostrar que "os factos mais importantes são inquestionáveis" na investigação.

Os democratas estão a investigar as solicitações de Trump à Ucrânia, enquanto suspendia a assistência militar ao país, que enfrenta uma ameaça militar e ocupação territorial parcial por parte da sua vizinha Federação Russa.

Trump, apoiado por Giuliani, pediu ao novo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, durante uma chamada telefónica de julho, que investigasse Biden e a sua família.

Os democratas também pretendem apurar se há ligações entre a demissão de Yovanovitch, a suspensão da assistência militar norte-americana a Kiev e a pressão de Trump para a Ucrânia investigar Biden.

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