Declaração de guerra? Bolsonaro fala em usar pólvora contra Biden

Presidente do Brasil diz que "saliva não chega" e lança provocação ao presidente americano eleito, a propósito da Amazónia. Outras autoridades e a oposição manifestam-se enquanto na internet cai uma chuva torrencial de memes

Jair Bolsonaro disse num evento público, na noite de terça-feira, que depois da saliva há que saber usar a pólvora, comentando declarações recentes de Joe Biden sobre a Amazónia. As declarações do presidente brasileiro, declarado apoiante de Donald Trump que ainda não reconheceu a vitória do candidato democrata, causaram choque e surpresa, primeiro, e um vendaval de memes, em seguida.

"O Brasil é um país riquíssimo. Assistimos há pouco um grande candidato à chefia de Estado dizer que se eu não apagar o fogo da Amazónia, ele levanta barreiras comerciais contra o Brasil. E como é que nós podemos fazer frente a tudo isso? Apenas a diplomacia não dá, né, Ernesto [dirigindo-se a Ernesto Araújo, ministro das relações exteriores]? Porque quando acabar a saliva, tem que ter pólvora, se não, não funciona. Precisa nem usar a pólvora, mas precisa saber que tem", disse Bolsonaro.

As reações começaram por Rodrigo Maia, terceiro na linha de sucessão presidencial na qualidade de líder da Câmara dos Deputados. "Temos mais de 160 mil mortos, uma economia cada vez mais fragilizada à beira da hiperinflação e um estado às escuras [o Amapá está em crise elétrica há uma semana], e o presidente fala em pólvora e em maricas", reagiu, juntando outra intervenção de Bolsonaro no mesmo evento. "Temos de deixar de ser um país de maricas", afirmou, a propósito da covid-19.

"Num único dia Bolsonaro celebra morte de voluntário, chama brasileiros de maricas e provoca poder bélico dos EUA. Todos os géneros dramáticos: tragédia, farsa e comédia. Sobre o que realmente importa nenhuma palavra", afirmou por sua vez Fernando Haddad, do PT, candidato derrotado por Bolsonaro nas presidenciais de 2018. Haddad inclui a reação, em tom de comemoração, pela suspensão dos testes a uma vacina chinesa a pós a morte - sem nada a ver com os testes - de um voluntário.

Na manhã de quarta-feira, as atenções viraram-se para o embaixador norte-americano no Brasil, Todd Chapman, que escolheu falar sobre a relação militar entre os países. "O Destacamento de Fuzileiros Navais na Embaixada e nos Consulados dos EUA compartilha uma longa história e uma relação importante e duradoura com a diplomacia que nos permite construir com segurança uma relação bilateral mais forte com o Brasil", publicou nas redes sociais.

Carla Araújo, colunista do portal UOL, escreveu que a declaração de Bolsonaro "com uma provocação velada ao futuro presidente norte-americano, não é endossada pelos militares, não é levada a sério. E nem deve ser".

As reações dos protagonistas foram, entretanto, engolidas pela tradicional chuva de memes no país.

"O único problema é que vão ter que importar pólvora da China, e o presidente pode não gostar", disse um usuário do Twitter, relacionando a questão com a vacina chinesa contra o novo coronavírus que Bolsonaro evita adquirir.

Outros compararam o poderio militar dos dois países. "Mano, enquanto você está na era da pólvora os EUA estão na era do bombardeamento usando drones, guerra sem tripulação, super soldados, canhão a laser, manta de invisibilidade e sabe-se lá até uma fucking estrela da morte", publicou um.

"6.800 ogivas nucleares vs. nenhuma... quem será que vai ganhar? Vamos ver o que vem por aí não dá pra saber ainda", escreveu outro.

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