Das contas em 8 estados ao voto por correio. O que falta para saber quem vence nos EUA

Trump ganhou na Florida e isso complicou o caminho de Biden, mas a vitória no Arizona e o facto de faltar contabilizar os votos por correio (e se acreditar que estes favorecem o democrata) faz que possa manter as esperanças. Há resultados que podem chegar só na sexta-feira.

O facto de Donald Trump ter conseguido ganhar o estado da Florida (e os seus 29 votos do Colégio Eleitoral) tornou as contas mais complicadas para Joe Biden. Mas a vitória do democrata ainda não é impossível, depois de ter ganhado o Arizona (11 votos) e, graças aos votos por correio, estar agora a liderar no Wisconsin (dez votos).

O número mágico são os 270 votos no Colégio Eleitoral e, pelas 11.00 em Lisboa (06.00 na costa leste dos EUA), Biden tinha 238 e Trump tinha 213. Em jogo estão ainda oito estados, que valem 87 votos - inclui um voto no Maine, onde o esquema não é o de o vencedor conquistar todos os votos e onde o democrata ainda só ganhou três. Há quatro anos, o quarto foi para Trump.

Dos estados que falta declarar vencedor, o Nevada (seis) tem votado nos democratas (apesar de Biden estar a perder terreno e só se esperarem mais dados na quinta-feira) e o Alasca (três) é tradicionalmente republicano. Isto deixa em aberto o Wisconsin (dez), o Michigan (16), a Pensilvânia (20), a Carolina do Norte (15) e a Georgia (16).

Quando é que se vai saber?

O número recorde de votos por correio, por causa da pandemia, tornou a contagem de votos mais demorada.

Segundo os analistas, a maioria dos votos por correio será democrata, mas a dúvida é saber se estes são suficientes para Biden recuperar terreno em estados onde está atrás de Trump.

Um exemplo de que isso é possível aconteceu pouco antes das 10.00, quando chegaram os votos do condado de Milwaukee e foram suficientes para o democrata passar para a frente no estado Wisconsin. Biden está à frente por menos de dez mil votos, faltando contabilizar 5% dos votos.

Se essa tendência se repetir nos condados em que falta contar e nos outros estados do chamado Cinturão de Ferrugem, Biden poderá vencer as presidenciais.

O Wisconsin, tal como a Geórgia e o Michigan, acredita que nesta quarta-feira será possível ter uma ideia concreta do vencedor, mas a Pensilvânia indicou que provavelmente só saberá na sexta-feira. Até ao momento, este estado já contabilizou 64% dos votos e Trump está à frente por 700 mil votos, mas falta contar cerca de 1,4 milhões de votos por correio.

Na Geórgia, Trump lidera por cem mil votos (94% contabilizado). No Michigan a vantagem é de apenas 70 mil, com 87% dos votos contados.

Já na Carolina do Norte, onde a diferença é de 80 mil a favor do presidente (com 94% dos votos contados), são aceites os votos por correio até dia 12 de novembro (que tenham sido depositados até dia 3).

O momento de viragem para o democrata foi a vitória no Arizona, onde só outro democrata venceu desde 1948 (Bill Clinton, em 1994). Foi o único estado até ao momento que Biden "roubou" a Trump.

Há estados onde uma diferença muito apertada entre os candidatos desencadeia automaticamente uma recontagem dos votos, podendo também um ou outro recorrer aos tribunais caso considerem que houve alguma falha.

Reações dos candidatos

Biden falou ao país depois da 01.00 (06.00 em Lisboa), quando já tinha perdido a Florida. Ainda assim, mostrou-se confiante numa vitória. "Acho que estamos no bom caminho para vencer esta eleição", afirmou Biden desde Wilmington, Delaware, onde mora. "Isto não acaba até que cada voto seja contado", acrescentou o candidato, de 77 anos.

Mas Trump foi menos conciliador quando falou pouco antes das 02.30 (07.30 em Lisboa), alegando que tinha ganho e que os democratas estavam a tentar roubas os seus apoiantes. O presidente disse a partir da Casa Branca que estava muito à frente nos principais estados e falou mesmo em fraude e num "embaraço para o país", explicando que iria recorrer ao Supremo Tribunal para se travar a contagem.

"Estamos a ganhar tudo. Os resultados são fenomenais. Devíamos estar a ir lá para fora para celebrar", acrescentou Trump "Mas, de repente... o que aconteceu?! Sabem o que aconteceu: eles sabem que não conseguem ganhar e querem ir para os tribunais", disse.

Os democratas já criticaram as palavras do presidente numa altura em que os votos ainda estão a ser contados.

É possível um empate?

Com os estados que falta contabilizar ainda pode acontecer um empate a 269 nos votos do Colégio Eleitoral. Basta que Biden perca no Nevada, Michigan, Pensilvânia e Wisconsin (além do esperado Alasca), mas ganhe na Georgia e na Carolina do Norte. O último eleitor do Maine seria também para Trump.

Um cenário que não parece previsível, mas que contribuiria ainda mais para a divisão nos EUA. Na prática, em caso de empate, a Constituição diz que cabe à Câmara dos Representantes eleger o presidente. Cada estado tem direito a um voto, com 26 necessários para vencer. Apesar de os democratas terem mantido a maioria na Câmara dos Representantes, quando se dividem por estado, a vantagem vai para os republicanos.

Um vencedor tem de ser declarado até ao dia da tomada de posse, 20 de janeiro, sendo que, se não houver um, caberá à líder da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, assumir o cargo de forma interina.

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