Coreia do Sul tem uma brigada de "detetives" que investigam cadeias de transmissão de covid-19

Quando há um surto ou uma maior aglomeração de pessoas, o trabalho redobra, mas os "rastreadores de contactos" estão dia e noite no terreno a tentar impedir a propagação da covid-19. E não há direito à privacidade que os pare.

O programa é governamental e os operacionais no terreno são epidemiologistas, técnicos de laboratório, especialistas em análise de dados e outros profissionais que integram uma equipa de saúde pública que em vez de lidar com papelada vai para o terreno e contacta diretamente todos os suspeitos de terem estado em contacto com um caso positivo de covid-19.

Usando tecnologias de localização GPS pela antena do telemóvel, câmaras de vigilância, movimentos do cartão de crédito e outros meios ao seu dispor, identificam os suspeitos, interrogam-nos e podem mesmo forçá-los a fazer o teste.

Numa reportagem da BBC com alguns dos membros desta equipa, os entrevistados dão ideia que estão numa missão e que deles depende parar a propagação do novo coronavírus na Coreia do Sul.

Quando foram entrevistados pela televisão britânica, tinha acontecido, recentemente, uma grande manifestação contra o governo, a 15 de agosto, que foi convocada pelos conservadores e juntou milhares de pessoas.

Foi em todos os que participaram ou pudessem ter estado em contacto com quem participou em tal ajuntamento que a equipa, que trabalha sem parar, a não ser para comer, se concentrou nas últimas semanas.

"Quando há um derramamento de óleo, cria-se uma barreira para o impedir de espalhar-se", diz Kim Jae-hym à BBC, sugerindo que ele e os seus colegas são essa barreira, em que o relógio não para e qualquer atraso ou insucesso pode pôr em causa vidas, na sua perspetiva.

Embora seja apontada como um modelo no combate à pandemia, a Coreia do Sul, que chegou a ser o segundo país com mais casos, no início da mesma, enfrenta agora uma subida dos números, que levou o governo a ameaçar com medidas de distanciamento mais restritas.

A referida manifestação é apontada como responsável por esta subida e os "detetives" - eles próprios comparam o seu trabalho ao de um detetive - têm sido incansáveis em localizar todos os que possam ter estado lá ou contactado com quem esteve. As questões do direito à privacidade não se lhes colocam, ainda que muitos dos cidadãos contactados resistam a revelar os seus dados e informações.

"Cerca de metade é honesta e cooperante, a outra metade tenta esconder informação de nós". Eles, que têm o poder de obrigar as pessoas rastreadas e contactadas a ficar em isolamento ou fazer o teste, até sob ameaça de pagar as despesas de saúde de todos quantos venham a infetar, como conta uma jornalista do Washington Post, e que no meio das suas investigações à covid-19 já detetaram adultérios.

Seja como for, este programa do governo sul coreano tem sido elogiado, até no meio académico, mas, lamenta Kim Beom-soo, "apesar dos nossos esforços, podemos não conseguir parar totalmente a propagação da doença. Esse é o meu maior medo."

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