Construiu parque temático para filha e crianças com deficiências

Empresário gastou 42 milhões de euros para construir "o primeiro parque temático ultra-acessível do mundo"

Um homem construiu um parque temático para a filha, que tem uma deficiência cognitiva, e para outras crianças e jovens deficientes. O parque Morgan's Wonderland é "o primeiro parque temático ultra-acessível do mundo", segundo o criador, e fica no Texas, Estados Unidos.

Foi construído para Morgan, uma jovem de 23 anos que sofre de autismo e tem o nível intelectual de uma criança de cinco anos. Gordon Hartman, pai de Morgan e criador do parque, teve a ideia de construir um local onde a filha pudesse ser feliz depois de ver que ela não se adaptava aos outros parques de diversões.

Hartman contou à BBC um episódio em que Morgan, na altura com 12 anos, entrou numa piscina e os outros meninos saíram da água. "Percebemos que não existia um local inclusivo onde ela se sentisse confortável e os outros quisessem interagir com ela", explicou Hartman. A solução foi inventá-lo. "Queríamos um parque temático onde todos pudessem fazer tudo, onde pessoas com e sem necessidades especiais pudessem brincar", continuou Hartman.

Para fazer o investimento, o empresário vendeu o seu negócio próprio, de construção civil, e criou a ONG The Gordon Hartman Family Foundation, que recebe donativos para ajudar pessoas com deficiências. O parque começou a ser construído em 2007 e em 2010 estava concluído. Custou 34 milhões de dólares, o equivalente a 28 milhões de euros.

Durante a construção foram consultados médicos e terapeutas, para escolherem a melhor forma de criar cada diversão. No parque estão disponíveis cadeiras de rodas motorizadas para ajudar os visitantes a aproveitarem melhor a visita.

Os Hartman não ficaram por aqui e, já em 2017, expandiram o parque, inaugurando o Morgan's Inspiration Island, com divertimentos aquáticos. O novo parque aquático custou mais 17 milhões de dólares, 14 milhões de euros.

Desde 2010, o parque Morgan's Wonderland recebeu visitantes de 67 países. A entrada é gratuita para qualquer pessoa com deficiências e um terço dos funcionários do parque também tem deficiências.

"Abrimos todos os anos sabendo que vamos perder mais de um milhão de dólares [cerca de 840 mil euros] e temos de recuperar através de angariações de fundos e parcerias", explicou Hartman, acrescentando que a fundação tem sido muito importante para a manutenção do parque.

Hartman não planeia abrir outros parque do mesmo género, apesar de receber centenas de cartas e e-mails de pessoas que lhe pedem que faça mais parques inclusivos noutras áreas. "Sei que há muitas organizações a tentar construir algo como o Morgan's Wonderland noutro local e vamos continuar a trabalhar com eles", disse o empresário.

Para já, Hartman ajuda a construir instalações educacionais para adolescentes com necessidades especiais.

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