Conflito familiar aumenta enquanto império Swarovski vai perdendo brilho

Receitas da empresa devem cair cerca de 30% em relação ao ano passado, de 2,7 mil milhões de euros para 1,9 mil milhões, estando planeados seis mil despedimentos

Visitada anualmente por 650 mil turistas, a sede do império de cristal Swarovski, na Áustria, um local na cidade de Wattens, na região montanhosa do Tirol, tem estado deserto desde que se iniciou a crise provocada pela Covid-19.

A falta de turistas e a consequente quebra na faturação acabaram por intensificar o mal-estar dentro da empresa fundada há 125 anos por Daniel Swarovski e agora dirigida pelos seus tetranetos.

"Somos forçados a reimaginar e redimensionar todo o nosso negócio Swarovski", disse à AFP o CEO da empresa, Robert Buchbauer, que concorre com empresas chinesas que vendem cristais que brilham com a mesma intensidade mas por apenas 1% do preço.

As receitas com cristais devem cair cerca de 30% em relação ao ano passado, de 2,7 mil milhões de euros para 1,9 mil milhões, estando planeados cortes extensos que há muito tempo se tornaram urgentes, segundo Buchbauer. Em cima da mesa está o despedimento de 6000 funcionários, sendo que 1200 já perderem os empregos em 2020.

No entanto, outros elementos da família Swarovski estão convencidos de que os clientes já estão a voltar-se para concorrentes mais baratos e não vão pagar preços mais altos. Paul Swarovski, acionista e ex-membro do conselho executivo, diz que quer impedir os planos de Buchbauer "antes que tudo vá pelo ralo".

Da mesma opinião é Nadja Swarovski, um dos três membros do conselho executivo, bem como o seu pai Helmut e o seu tio Gerhard.



Na indústria de bens de luxo, a Swarovski é uma das poucas empresas totalmente familiares que ainda são administradas como uma sociedade limitada. Inicialmente, servia os interesses de um fabricante de pequena escala, mas todas as partes concordam que agora é um impedimento para a operação internacional de milhares de milhões de euros.

Buchbauer, que se tornou o primeiro CEO da Swarovski em abril, obteve a aprovação dos acionistas para a sua própria proposta, que colocaria as operações da empresa sob o guarda-chuva de uma holding. No entanto, Nadja, Helmut, Gerhard e Paul Swarovski opuseram-se, referindo que os cerca de 20% das ações que possuem lhes dá poder de veto.

O caso já está nos tribunais, onde os acionistas minoritários esperam que o movimento de Buchbauer seja anulado.

Apesar da crise no seio da empresa, elementos do clã Swarovski continuam a exibir fotografias de férias de luxo nas redes sociais ou a descer de helicóptero para reuniões em Wattens, o que aumenta a frustração e descrença dos funcionários, diz a representante sindical Selina Staerz.

Numa região em que a Swarovski é a maior empregadora, os funcionários despedidos poderão ter dificuldades em encontrar novos empregos.

Embora Buchbauer diga que não serão necessários mais cortes após 2021, persistem rumores de que toda a operação será transferida para a vizinha Suíça.

De qualquer forma, diz Staerz, as pessoas perderam a fé num empregador antes elogiado por oferecer benefícios como creche e casa.

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