Cameron admite que beneficiou das aplicações offshore do pai

David Cameron vendeu a participação antes de tomar posse enquanto primeiro-ministro

O primeiro-ministro britânico admitiu hoje que detinha até 2010 parte de um fundo de investimento do seu pai, matriculado nas Bahamas, ao fim de vários dias de pressão subsequentes às revelações sobre os "Papéis do Panamá".

David Cameron destacou, em entrevista à cadeia televisiva ITV, que tinha vendido a sua posição em 2010 por cerca de 30 mil libras (37 mil euros), alguns meses antes de ser primeiro-ministro. Na quarta-feira, um porta-voz do Governo insistiu que Cameron e a sua família não beneficiam de qualquer investimento ou fundo 'offshore'.

O gabinete de Cameron emitiu então um novo comunicado perante a intensa pressão sobre o chefe do Governo desde que as revelações da investigação sobre aqueles documentos ligaram o seu pai, Ian Cameron, já morto, a operações em paraísos fiscais.

Embora o líder conservador tenha dito na terça-feira que não possui ações, interesses ou fundos em paraísos ficais, um porta-voz governamental pronunciou-se hoje novamente sobre o assunto, dado continuarem as perguntas sobre se Cameron ou a sua família teriam beneficiado, ou beneficiarão no futuro, das operações do seu pai. "Não existem fundos nem investimentos 'offshore' dos quais o primeiro-ministro, a sua mulher, Samantha, e os seus filhos possam beneficiar no futuro", disse a fonte oficial.

De acordo com documentos da empresa de advogados panamiana Mossack Fonseca, investigados pela imprensa internacional, o pai do primeiro-ministro britânico era diretor do Blairmore Holdings, um fundo de investimento com domicílio nas Bahamas criado em 1980 e que ainda existe.

O líder da oposição trabalhista, Jeremy Corbyn, pediu a abertura de um inquérito independente sobre as acusações em relação à família Cameron.

Uma investigação realizada por uma centena de jornais em todo o mundo sobre 11,5 milhões de documentos, designados "Papéis do Panamá", revelou bens em paraísos fiscais de 140 responsáveis políticos ou personalidades públicas.

Segundo o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, que reuniu para este trabalho 370 jornalistas de mais de 70 países, mais de 214.000 entidades 'offshore' estão envolvidas em operações financeiras em mais de 200 países e territórios em todo o mundo.

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