Câmara dos Representantes não vota para já abertura de inquérito para destituir Trump

Decisão decorre de haver novos dados sobre a relação de Donald Trump com Vladimir Putin, revelados por atuais e antigos funcionários da Administração Trump já ouvidos em sede parlamentar.

A presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, anunciou esta quarta-feira (terça-feira em Washington) que a proposta de abrir um inquérito para destituir o presidente Donald Trump não vai ser votada para já.

Nancy Pelosi (democrata), terceira figura na hierarquia política dos EUA, disse que a investigação em curso - iniciada por causa das pressões de Donald Trump sobre o homólogo da Ucrânia para investigar o rival político democrata Joe Biden - tem suscitado novas questões sobre o relacionamento de Trump com o Presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Com Trump "todos os caminhos parecem levar a Putin", sublinhou Nancy Pelosi aos jornalistas, aparentemente indisponível para ceder às exigências republicanas de realizar uma votação formal sobre o inquérito para destituir o presidente.

Os legisladores, que participam há vários dias em entrevistas à porta fechada, disseram que os testemunhos de funcionários do Departamento de Estado e de antigos membros do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca têm confirmado amplamente o relato do denunciante que deu origem à investigação.

Num telefonema realizado a 25 de julho, segundo a própria transcrição escrita divulgada pela Casa Branca, Trump pediu ao homólogo da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que iniciasse um inquérito à atuação de Joe Biden, enquanto vice-presidente dos EUA nos mandatos de Barack Obama, ao questionar o papel do então procurador-geral ucraniano na luta contra a corrupção no país - e se isso estaria relacionado com as atividades do filho, Hunter Biden, enquanto administrador da empresa Burisma.

Esse telefonema foi antecedido pela decisão de Trump em suspender a ajuda militar dos EUA à Ucrânia, apesar de aprovada pelo Congresso - e depois de figuras que integraram o Conselho de Segurança Nacional na atual administração, como Tom Bossert, terem garantido que essas suspeitas sobre Joe Biden e o filho eram infundadas.

A divulgação da informação, através de um denunciante, e as suspeitas então levantadas em torno do líder norte-americano levaram a que a presidente da Câmara dos Representantes anunciasse, a 24 de setembro, que a câmara iria iniciar um inquérito parlamentar com vista a um processo de destituição do presidente.

A legislação norte-americana proíbe a intervenção de atores estrangeiros no processo eleitoral do país e isso esteve na origem do inquérito formal à alegada interferência da Rússia nas eleições de 2016 e a favor de Donald Trump.

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