Botswana volta a conceder licenças para a caça de elefantes

A temporada de caça de 2020 deve começar em abril. Anterior presidente, que proibiu a caça destes animais selvagens, critica decisão do atual chefe de Estado.

O Botswana, que abriga a maior população de elefantes do mundo, deve realizar esta sexta-feira o seu primeiro grande leilão de licenças de caça de elefantes desde que o país eliminou a sua proibição no ano passado. O leilão será realizado por uma empresa local - a Auction It -, nas instalações do Ministério do Meio Ambiente, Conservação da Natureza e Turismo, localizado na capital Gaborone.

O presidente Mokgweetsi Masisi provocou a ira dos conservacionistas em maio, quando revogou uma moratória, apenas um ano depois de suceder a Ian Khama, um ambientalista convicto e responsável pela introdução de uma proibição geral em 2014 para reverter o declínio na população de animais selvagens.

Masisi evitou críticas à decisão de seu governo, dizendo que a medida não ameaçaria a população de elefantes.

O governo está a emitir sete "pacotes" que permitem a caça de 10 elefantes por "pacote", desde que sejam animais que estejam em "áreas de caça controladas", disse uma porta-voz da vida selvagem Alice Mmolawa à AFP na quinta-feira.

A responsável avançou que a permissão de caça vai ajudar as áreas mais afetadas pelo "conflito humano com a vida selvagem", uma referência aos elefantes que deambulam em locais próximos das comunidades. A temporada de caça de 2020 deve começar em abril.

As licitações estão abertas a "empresas que pertençam a cidadãos do Botswana ou que estejam registadas no Botswana", disse Alice Mmolawa. Os licitantes devem fazer um depósito reembolsável de 18.300 dólares antes de participarem no leilão.

De acordo com um comunicado, os licitantes devem ter "experiência comprovada de caça ao elefante" e não terem condenações criminais anteriores relacionadas com a vida selvagem.

Desmotivar os que combatem a caça furtiva, acusa ex-presidente

A decisão de Masisi de suspender a proibição de caça no ano passado foi muito elogiada pelas comunidades locais, mas ridicularizada pelos conservacionistas e provocou tensão entre Khama e Masisi.

O atual presidente defendeu a sua decisão de permitir a caça destes animais argumentando que o país tem uma superpopulação de elefantes e prometeu regular a prática.

"Eu sou contra a caça porque representa uma mentalidade de exploração da natureza para interesse próprio que já provocou a extinção de muitas espécies em todo o mundo", disse o antecessor de Masisi à AFP.

O antigo presidente do país disse ainda que permitir a caça comercial pode "desmotivar aqueles que estão envolvidos no combate à caça furtiva, e que estão a ser instruídos para salvar os elefantes dos caçadores, mas o regime está atrás do mesmo elefante e chama-o de caça legal".

Audrey Delsink, da organização humanitária Humane Society International, disse que "os leilões de [licenças] de caça ao elefante no Botswana são profundamente preocupantes e questionáveis".

Neil Fitt, que dirige a Sociedade de Conservação Kalahari no Botswana, afirmou que a caça é uma nova fonte de receita para o país, mas alertou que a caça deve ser praticada "ética e adequadamente".

Com parques não vedados e espaços abertos, o Botswana tem a maior população de elefantes do mundo, com mais de 135.000 animais - cerca de um terço do total do continente africano.

A maioria dos animais está no Parque Nacional Chobe, uma importante atração turística. Mas os elefantes invadem aldeias localizadas perto de reservas de vida selvagem, derrubando cercas, destruindo plantações e, às vezes, matando pessoas.

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